terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A EDUCAÇÃO EM PESQUEIRA NO PERÍODO 1948-1951

Escola Típica Rural de Mutuca, Pesqueira, em 1950.

Os anos que compreendem o final da década de 1940 e início de 1950, representam uma fase de crescimento educacional no município de Pesqueira com a expansão de novas cadeiras de ensino, bem como a construção e o estabelecimento de grupos escolares tanto na sede municipal, como nas áreas rurais.
Para traçar um panorama a respeito do quadro educacional neste período foi fundamental o Álbum da Administração do prefeito Ésio Magalhães Araújo, responsável por um governo de muitas realizações e que muito contribuiu para a modernidade e desenvolvimento de Pesqueira.    
Dentre as transformações de sua gestão cabe destacar a educação e de acordo com o Álbum supracitado, assim era o ensino primário no ano de 1948:

EXERCÍCIO DE 1948 […] Instrução Primária. No início do ano letivo, em 16 de fevereiro, existiam 87 escolas municipais em todo o território da comuna (inclusive Alagoinha e Sanharó, posteriormente elevados à categoria de municípios) antes do término do exercício o governo municipal criou 30 novas escolas divididas nas seguintes categorias e todas em pleno funcionamento, cuja matrícula atingia a 3.234 alunos […]
           
Sobre estas 30 novas escolas criadas, cabe registrar as que obtivemos informações, foram elas: Escola Benjamim Caraciolo (então Distrito de Sanharó); Escola Sérgio Loreto (então Distrito de Poção); Escola Jurandir Brito de Freitas (Distrito de Salobro); Escola Leonardo Siqueira (Povoado de Santa Teresinha, atual Distrito de Mutuca); Escola Tenório de Carvalho (Povoado de Ipanema); Escola André Bezerra (Povoado de Jenipapinho, Alagoinha); Escola 6 de Março (Povoado Divisão, Sanharó); Escola Belchior Leite do Amaral (Povoado Mulungu, Sanharó); e Escola Francisco Sinésio (Bairro Santa Rita, Pesqueira).
Em 1949 com a constituição dos municípios independentes de Sanharó (do qual passou a fazer parte o distrito de Jenipapo e o povoado de Divisão) e Alagoinha (de cujo território passou a constituir o povoado de Perpétuo Socorro). Pesqueira perdeu território e o quantitativo das escolas e dos alunos sofreu redução caindo de 87 para 57 escolas e de 3.234 para 2.296 alunos.
As despesas da prefeitura estavam orçadas em outubro de 1951 no valor de Cr$ 2.840.913,10, dos quais Cr$ 375.675,00 eram gastos com Educação Pública (13,22%), desse valor Cr$ 13.000,00 foram destinados para a compra de papel, pena, tintas, livros, fardamentos e outros materiais para a distribuição gratuita aos alunos pobres. Vale ressaltar, que os investimentos com educação representavam o 2º lugar das despesas municipais, superado apenas pelos Serviços de Utilidade Pública (Cr$ 851.960,26 – 29,9%).
Outro fato de grande importância para a educação pesqueirense foi a criação da Biblioteca Pública Municipal, através da Lei nº 40 de 2 de junho de 1948, sendo instalada em janeiro de 1950 e sobre a qual farei artigo posterior.        

Todavia, nessa época não há apenas o esforço do município para atender a população pesqueirense com educação pública, uma vez que entre 1949 e 1950 são construídas no município de Pesqueira pelo governo do estado 06 Escolas Típicas Rurais (chamadas de ETR's) para atender a área rural. Foram elas: ETR de Cimbres (1ª professora Maria do Carmo de Araújo Bezerra); ETR de Mimoso (1ª prof.ª Vanda Brito); ETR de Mutuca (1ª prof.ª Almira Prudêncio da Silva); ETR de Roçadinho (1ª prof.ª Julieta da Silva Barros); ETR de Ipanema (1ª prof.ª Teresinha Pereira Lopes) e ETR de Poção (1ª prof.ª Ângela Alzira de Souza Duque).
As ETR's foram idealizadas por Clemente Marianni, Ministro da Educação do Presidente Eurico Gaspar Dutra (1947-1951) e constituíam-se num prédio de aspecto colonial com uma sala para 40 alunos, com uma residência para a professora e um espaço de 1 hectare, pois seu principal objetivo era associar a alfabetização dos alunos com técnicas de agricultura, pecuária e ofícios rurais. Só em Pernambuco no ano de 1948 foram construídas 248 escolas rurais em 84 municípios com alto déficit escolar.
A primeira escola rural construída em Pesqueira foi a da Vila de Cimbres, conforme consta nas notas abaixo:

ATOS DO GOVERNO ESTADUAL […] O governador do Estado assinou os seguintes atos: […] designando o adjunto de promotor público da comarca de Pesqueira, José da Silva Araújo, para como representante do Estado, assinar a escritura de doação de um terreno localizado em Cimbres, 3º distrito daquele município destinado à construção de uma escola rural;[…]

-Escola Rural de Cimbres, construída em abril de 1949 […]

Por fim, destaca-se nessa fase de mudanças educacionais significativas em Pesqueira, além da atuação do prefeito Ésio Magalhães Araújo, a do Secretário de Educação e Cultura do Estado, bacharel João Arruda Marinho dos Santos (ex-prefeito de Pesqueira) e do Governador de Pernambuco, Dr. Agamenon Magalhães.

Por Fábio Menino de Oliveira.


REFERÊNCIAS

Álbum da Administração de Ésio Magalhães Araújo, 1948-1951. Recife, Oficina Tipográfica do Diário da Manhã, 1951.
Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 19/11/1948, ano 123, nº 270, p. 4.
Idem, sexta-feira, 01/04/1949, ano 124, nº 76, p.5.

sábado, 28 de janeiro de 2017

REPORTAGEM DE 1936 SOBRE A APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA NO SITIO GUARDA, EM PESQUEIRA.

Fac-símile do Diário da Manhã, 10/10/1936

Na cordilheira do Ororubá
Nossa Senhora apareceu, em Pesqueira, a duas crianças”
Uma multidão de romeiros dirige-se ao local do milagre1

(DE UM REPÓRTER MATUTO)

Foi na cordilheira do Ororubá, onde o vento passa agitado, mas, trazendo sempre o cheiro da terra oura; foi ali no Sítio do Guarda, no município de Pesqueira, onde o clima é o mais convidativo às meditações profundas ou não sobre os mistérios da vida, que, no dia 3 de agosto, do ano que vai rolando, apareceu uma santa.


Nossos jornais já se ocuparam do fato, mas, não deram grande curso às suas indagações sobre a aparição. Falta de tempo ou respeito as coisas misteriosas que surgem de repente para impressionar um povo que tem tanto em que pensar, mesmo no campo duro da realidade.

Maria da Luz, em companhia
da sua amiga.
Mas, o fato é que ali, no município de Pesqueira, célebre pelo justo rumor da sua goiabada, no Sítio do Guarda, na cordilheira do Ororubá, vivia, sem sucesso, o agricultor Artur Teixeira que, afora a preocupação que lhe davam os cafezais, os sabugueiros e as goiabas, tinha a merecer-lhe muito cuidado, cuidado e carinho, a sua filha menor Maria da Luz, uma criança tão calma como aquele trecho de terra em que seu pai vivia.

NO DIA 3 DE AGOSTO, estando Maria da Luz em companhia de sua amiguinha, entregue a colheita de frutos, como lhe viesse o cansaço, resolveu palestrar um pouco e o assunto da conversa foi uma provável investida dos bandidos naquela propriedade.

Naquele pedaço de terra constitui um verdadeiro pavor a simples lembrança de uma incursão de bandidos. A companhia de Maria da Luz tremeu de susto. Que Deus a livrasse de ver um bandido.

Maria da Luz, mais confiante, declarou que não temia os bandidos, pois acreditava muito e muito em Nossa Senhora.

Falou assim Maria da Luz e de repente – é o que relata os informantes que vem de Pesqueira – no alto de uma pedra cortada, viu a menina que aparecia um vulto, com uma auréola de luz. Ficaram estáticas as duas menores e – continuam os informantes – a santa continuava a rir para elas, num riso de santa, cheio de graça e de perfume.

Um grupo de romeiros, ao sopé
da serra do Ororubá
A NOTÍCIA ESPALHOU-SE por todo o município de Pesqueira. 

Passou deste para outros, e já anda pelos Estados vizinhos.

Como corre uma notícia! Romeiros estão marchando sobre a cordilheira do Ororubá. Pernas de todas as idades vão vencendo as anfractuosidades do caminho.

Velhos, moços e meninos, todos, serra acima, vão com o coração a rebentar de esperança e fé, porque querem ter também a graça de Maria da Luz; querem ver, sobre a pedra cortada, o perfil da santa, de Nossa Senhora que, assim, apareceu àquelas duas meninas e que não deixará de aparecer também aos que já não são meninos, mas, bem que o queriam ser.

Vai sendo grande a onda de peregrinos, homens e mulheres, cansados das grandes caminhadas, vão chegando ao Sítio do Guarda, onde a plantação de tomates vai ficando perdida, pisada está a terra toda.

Continuam as menores a afirmar que a Santa lá está como no primeiro dia. Que ri para elas; ri e fala. Chega a ser impressionante esta certeza das meninas e bem que vai impressionando os velhos, estes são às vezes mais sugestionáveis ainda.
O local em que foi vista a Santa

[…]
Logo, Pesqueira é que é uma terra abençoada.

O local em que foi feita a aparição é de tão difícil acesso que é mesmo de causar espanto a facilidade com que os romeiros o alcançam.

É até necessária a colocação de escadas, para que consigam certas passagens.

E por toda a subida a velas acesas. Um grande, um solene espetáculo de fé. (Ortografia atualizada para facilitar a compreensão do leitor).

Por Fábio Menino de Oliveira.




1 Trecho da reportagem e imagens foram retirados do DIÁRIO DA MANHÃ (Recife, sábado, 10 de outubro de 1936, ano X, nº 2844, p. 6). Disponível em: http://200.238.101.22/docreader/DocReader.aspx?bib=DM1936&pesq=Na%20cordilheira%20do%20ororob%C3%A1 Acesso em 26/01/2017.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PESQUEIRA DE 1800- A FAZENDA, O FUNDADOR E SUA GENTE. Por Marcelo O. do Nascimento

AMIGOS (AS) LEITORES(AS)

Replico a seguir o artigo de apresentação do livro Pesqueira de 1800, do amigo pesquisador Marcelo O. do Nascimento. É uma excelente obra que ora está sendo lançada, já tive a oportunidade de le-lo, o que fiz em um único dia pois, não consegui parar antes do final.
Sobre este livro gostaria de fazer um breve comentário sobre minhas impressões: constitui-se numa obra que traça com propriedade o período inicial da formação de Pesqueira, tendo uma riqueza de detalhes que impressiona, seja na descrição das costruções arquitetônicas, seja no embasamento das informações e as fontes históricas apresentadas.
Em suma, Marcelo elaborou uma obra técnica, dinâmica e moderna, em todas as 278 páginas há o convite ao leitor para que interprete o que está lendo e se envolva diretamente na história, algo que poucos escritores conseguem. Só tenho a parabenizar o amigo e indicar para que outras pessoas possam ter acesso a nossa história e sentir o prazer que tive, me apaixonei pelo Pesqueira de 1800.


"Depois de cinco anos organizando fontes e fazendo anotações, chega ao fim o trabalho que resultou no livro Pesqueira de 1800 – A fazenda, o fundador e sua gente. Essa é uma obra diferente das anteriores, é a primeira na qual falo da história de Pesqueira de uma forma linear, começando com a povoação de parte do sertão, incluindo a área da fazenda Jeritacó, de Pantaleão de Siqueira Barbosa, passando pelo surgimento da fazenda Pesqueira, de Manuel José de Siqueira (filho de Pantaleão), até chegar a sua elevação a vila e sede do município de Cimbres.

Até agora foi o trabalho mais difícil de ser feito, devido principalmente à falta de fontes primárias. No entanto, bons ventos vindos dos Estados Unidos salvaram a pesquisa, impressionantemente. Os ventos vindos daquele país chegaram na forma do acervo digital da Universidade da Flórida, de onde consegui extrair muitas informações até agora desconhecidas sobre Pesqueira e sua rival, a fazenda Poço dos Patos. São capítulos que renderiam facilmente uma novela, nos quais se vê guerras políticas, tragédias familiares, torturas e assassinatos. Aqui se revela um passado pesqueirense violento e sem esperança, mas que, como de praxe, nos dá grandes lições.

Na verdade, o livro é fruto de um trabalho de leitura e pesquisa iniciados muitos anos atrás, mas que só há pouco tempo foi ganhando corpo até chegar ao que agora se apresenta. Sabemos que é apenas uma pequena parte da grande história de Pesqueira, mas ficamos com a expectativa de que seja um passo para uma caminhada muito maior.

O livro contem 308 páginas, conta com fotografias e está a venda pelo site do Clube de Autores, no link abaixo".



Por Marcelo do Nascimento. Leia mais em: http://pesqueirahistorica.blogspot.com/2016/11/pesqueira-de-1800-fazenda-o-fundador-e.html#ixzz4R1nTK1sg

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A EMANCIPAÇÃO DO DISTRITO DE MIMOSO (PESQUEIRA/PE) - 1ª parte

Na foto provavelmente do início da década de 1960, vê-se: à esquerda, o Deputado
Apolinário de Siqueira (terno branco); ao centro, o Prefeito Neco Tenório (terno preto);
 e à direita, o Vereador Valderique Tenório (terno cinza).

No Distrito de Mimoso em 23/07/1930 nasceu Apolinário Pessoa de Siqueira (o popular “Xinxa”), filho de Antônio de Siqueira Cavalcanti e Maria Pessoa de Siqueira.
Apolinário fez fama no sertão pernambucano como plantador de cebola e tomate nas Fazendas Xinxa, Cajueiro e Lagoa Branca na Vila de Assunção do município de Cabrobó. Tendo por isso o título popular de Rei da Cebola.
Por conta do seu prestígio tornou-se influente na política elegendo-se por três vezes Deputado Estadual, a primeira foi em 07/10/1962 quando candidatou-se pelo PR (Partido Republicano) e teve 3.008 votos, destes 906 foram em Pesqueira. Vale ressaltar que pelo mesmo partido elegeram-se mais dois deputados com ligações pesqueirenses: Luiz Neves (prefeito a época de Pesqueira) e Lívio Valença (médico radicado em São Bento do Uma e cujos pais eram naturais de Pesqueira).
Assumindo seu primeiro mandato no legislativo pernambucano em 1963, um dos seus primeiros projetos de lei foi o de Nº 117/1963 que emancipava Mimoso, desmembrando-o de Pesqueira e com isso criando um novo município, vejamos o que dizia:

1963 – PROJETO N. 117
EMENTA: Cria Município.
ART.1º - Fica criado o Município de Mimoso, atual Distrito de Pesqueira, do qual fica desmembrado.
ART. 2º - O novo Município será constituído do atual distrito e obedecidos os seus atuais limites.
ART. 3º- As exigências legais para a constituição do mesmo serão oportunamente satisfeitas perante a Comissão de Negócios Municipais, desta Assembleia Legislativa, antes da última discussão e votação da matéria.
ART. 4º - A presente lei, entrará em vigor em 1º de janeiro de 1964, juntamente com a Lei de Organização Administrativa e Judiciária do Estado para o quinquênio 1964/1969, revogadas as disposições em contrário.
JUSTIFICAÇÃO:
O atual distrito de Mimoso, do Município de Pesqueira, há muito que anseia pela sua emancipação política e econômica de modo a dispor de melhores meios para adquirir o seu progresso.
De acordo com o que estabelece a Lei de Organização Municipal e a Constituição do Estado de Pernambuco possui o referido distrito amplas possibilidades para reivindicar a sua autonomia, o que terei a satisfação de provar oportunamente perante o órgão competente da Casa. Dispensando maiores justificações desde que o mesmo encontra apoio na lei, nada mais justo que este projeto receba o necessário apoio, dos pares desta augusta Assembleia Legislativa.
S.S., em 4.4.63
a) Apolinário de Siqueira
- à 8ª Comissão[i].
Fac-símile com trecho da Lei Nº 117/1963

Após sua tramitação nas comissões específicas foram acrescentadas duas Emendas Aditivas ao projeto incorporando o povoado de Ipanema (Pesqueira) e o distrito de Ipojuca (Arcoverde) ao novo município de Mimoso.

[...] EMENDA ADITIVA: Autoriza o Poder Executivo a incorporar ao território do município de Mimoso o Povoado de Ipanema, desmembrado pelos seus limites naturais, do município de Pesqueira. [...] Sala das Seções, em 1 de outubro de 1963. a) Apolinário de Siqueira. À publicar[ii].

[...] EMENDA ADITIVA: Autoriza o Poder Executivo a incorporar ao território do município de Mimoso o Distrito de IPOJUCA. – Pertencente ao Município de Arcoverde. [...] Sala das Seções, em 11.10.1963. aa) Apolinário de Siqueira. Romão Sampaio. Geraldo Pinho Alves. Olympio Mendonça. Pedro Duere. Nivaldo Machado. Olímpio Ferraz. Salviano Machado, Antônio Lucena. Fábio Correa. Sílvio Pessoa. Joselito Padilha. Antônio Luís Filho. Airon Rios. Luiz Neves. A publicação[iii].


Tendo tramitado por quase um ano na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o projeto Nº 117/1963 foi rejeitado em votação ocorrida na reunião da Comissão de Negócios Municipais, realizada no dia 13 de dezembro de 1963. Conforme comprova o trecho da Ata transcrito a seguir:

[...] Abertos os trabalhos, às 20 horas, foi constatada a presença dos srs. Deputados Osvaldo Coelho, Edson Mouri Fernandes, Gervásio Pires, Roberto Phaelante, Josué Pinheiro, Almany Sampaio, Adauto José de Melo e Olímpio Mendonça. [...] Com a palavra, o sr. Deputado Roberto Phaelante oferece parecer contrário à emancipação do distrito de Mimoso, sendo acompanhado pelos presentes. [...] Sala das Comissões aos treze (13) dias do mês de dezembro de 1963. A PUBLICAÇÂO[iv].


          À época, se o projeto de emancipação tivesse sido aprovado, o município de Mimoso contaria com uma população de 3.452 pessoas, no entanto, a proposição do deputado mimosense não teve o apoio necessário para sua aprovação.
Quanto ao Deputado Apolinário Siqueira, o mesmo exerceu três mandatos nas legislaturas de 1963/1966, 1967/1970 e 1971/1974. Faleceu no Hospital Santa Joana no Recife/PE em 17/08/1998.

Por Fábio Menino de Oliveira.







[i] Diário Oficial do Estado de Pernambuco, Ano XL, Nº 79, Recife, sexta-feira, 5 de Abril de 1963, p. 323.

[ii] Idem, Ano XL, Nº 221, Recife, quinta-feira, 3 de Outubro de 1963, p. 1460.

[iii] Idem, Ano XL, Nº 230, Recife, domingo, 13 de Outubro de 1963, p. 1563.

[iv] Idem, Ano XLI, Nº 8, Recife, sábado, 11 de Janeiro de 1964, p.46.

sábado, 15 de outubro de 2016

ENTREVISTA NA RÁDIO URUBÁ FM

HOJE, 15 DE OUTUBRO DE 2016 ESTIVE CONCEDENDO UMA ENTREVISTA AO PROGRAMA PERFIL PESQUEIRENSE DA RÁDIO URUBÁ FM 104.9, QUERO AGRADECER AO CONVITE, AOS OUVINTES E A JOTA SOBRINHO E EVALDO ANDRADE.

NÃO PODERIA DEIXAR DE COMPARTILHAR ESSA MAGNÍFICA E HONROSA EXPERIÊNCIA COM MEUS AMIGOS E AMIGAS LEITORES DESTE BLOG.


ABAIXO SEGUEM OS LINKS PARA OUVIREM A REFERIDA ENTREVISTA, É SÓ COPIAR E COLAR NO NAVEGADOR.

https://soundcloud.com/user-814496132/entrevista-radio-uruba-fm-15102016-1parte

https://soundcloud.com/user-814496132/entrevista-radio-uruba-fm-15102016-2-parte

https://soundcloud.com/user-814496132/entrevista-radio-uruba-fm-15102016-3-parte




Por Fábio Menino de Oliveira.






quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CHUVAS FORTES ATINGEM O DISTRITO DE MIMOSO (PESQUEIRA-PE) NO ANO DE 1924

Rua do Comércio do povoado de Mimoso em 1925, foto do Álbum da Adm. Cândido de Brito 1923/1925.
Transcreverei a seguir uma notícia publicada no Diário de Pernambuco de 12 de junho de 1924i que trata dos graves danos ocasionados em Mimoso por conta das fortes chuvas ocorridas entre os dias 16 (sexta-feira) e 17 de maio (sábado). Eis a notícia na íntegra:

O “Diário” nos Municípios.
PESQUEIRA.
DE MIMOSO:19-V-924. - Vem ocasionando grandes prejuízos o nosso inverno. As chuvas têm caído fortes, e constantes. Na sexta-feira e no sábado, tivemos pesados aguaceiros, caindo nas imediações deste povoado diversas trombas d'água. As ruas da estação e do comércio, ficaram intransitáveis no momento das chuvas.
Desde o mês passado, porém num crescente assustador, o pequeno rio Ipanema, que margeia este povoado, tem descido com cheias anormais, sendo que a observada no sábado, ultrapassou cerca de 2 metros do nível da maior enchente conhecida, alargando a rua do “Emboca”, (lado baixo) nessa rua as águas subiram a altura de ½ metro.
A impetuosidade da torrente, fez desabar uma casa onde residia uma pobre velha e arrastou lavouras, árvores e etc.
À tarde fica nublada, porém não aterroriza a suposição de tal catástrofe. Às 15 horas começou a chover fortemente, com fragorosos trovões e fuzilantes relâmpagos.
Aproximadamente uma hora depois, ouviram-se os primeiros gritos de alarme: as águas do rio invadiram as casas em ondas que cresciam aos palmos!
Tomada de pânico ante a repentina inundação a população ribeirinha abandonou precipitadamente os seus lares, em busca de abrigo, conduzindo crianças no colo, e transportando móveis que iam acumulando nos altos.
Graças à Providência, pouco antes das 20 horas, cessou o temporal, entrando a enchente em rápido declínio não havendo desastre pessoal.
Os serviços de salvação foram dirigidos com atividade digna de registro pelo 2º sargento da Força Pública Leopoldino Eloy de Almeida, subdelegado de Polícia, auxiliado por muitas outras pessoas gradas, e soldados do destacamento local.
Na fazenda de propriedade do sr. major Luís Tenório, que dista deste povoado 3 kilômetros, e que fica situada na margem da linha da “Great Western”, em consequência das grandes chuvas, arrombou-se o grande açude ali existente, carregando a ponte que media 20 metros de comprimento e um grande aterro, ficando os trilhos e dormentes suspensos, interrompendo deste modo o tráfego de trens, não se registrando um grande desastre no trem de passageiros que se destinava a Rio Branco, por ter sido evitado pelo major Tenório, mandando incontinente um portador a cavalo avisar ao chefe da estação de Ipanema o enorme perigo, pois isto verificou-se às 17 horas do sábado, (hora da passagem do passageiro pelo local) já se encontrando o referido trem naquela estação, sendo por este motivo o major Luís Tenório alvo de uma grande manifestação em sua fazenda por todos os passageiros que para lá se transportaram a fim de agradecer o seu gesto de humanidade poupando a vida de muitas pessoas, inclusive de famílias que viajavam no referido comboio, crianças, etc.
O major Cândido de Brito, prefeito do município de Pesqueira, foi quem mais sofreu com a enorme cheia, tendo um prejuízo superior a 30 contos de réis.

Entre os fatos principais da referida notícia deve-se destacar: 1-As inundações ocorridas no então povoado de Mimoso atingindo a rua da Emboca, que deveria ser a parte baixa do lugar, além disso fala das outras duas ruas ali existentes: Rua da Estação e Rua do Comércio; 2-O arrombamento de um açude na Fazenda Propriedade do major Luís Tenório de Albuquerque e o consequente estrago de uma ponte da linha férrea que só não vitimou várias pessoas por causa do ato do major Tenório que mandara avisar na estação de Ipanema; e 3-Tal enchente causou um grande prejuízo ao major Cândido de Brito que em 1924 arrendou uma parte da Fazenda Propriedade e fez uma das primeiras plantações de tomates das Fábricas Peixe no município de Pesqueira.

Por fim, vale salientar que o inverno de 1924 foi muito rigoroso causando estragos, principalmente, no povoado de Mimoso e na Fazenda Propriedade, todavia, como vimos anteriormente os prejuízos foram materiais não sendo registradas vítimas.


Por Fábio Menino de Oliveira



iDiário de Pernambuco, quinta-feira, 12/06/1924, ano 99, nº 134, p.8

sábado, 16 de julho de 2016

A HISTÓRIA DE UMA LÁPIDE NO SÓTÃO DA MATRIZ DE CIMBRES


No último dia 14 deste mês estive junto com meu amigo Átila Frazão fazendo uma visita a histórica e belíssima Vila de Cimbres, município de Pesqueira-PE, berço de mais de 300 anos de uma história riquíssima.

Entre os lugares visitados, destaco a Matriz de Nossa Senhora das Montanhas, construída provavelmente na década de 1670 após a instalação da missão de Ararobá pelos padres oratorianos da congregação de São Felipe Néri, tendo passado por algumas reformas em 1852 e na década de 1920, onde fora construída a torre frontal e as sacristias.

Dentre tantos detalhes observados, teve um que me instigou a curiosidade a presença de uma lápide no sótão acima da sacristia do lado direto da Matriz, com os seguintes dizeres: RESTOS MORTAES DA PROFESSORA DE ALAGOINHAS D. JOAQUINA CORDEIRO DE JESUS ROCHA FALLECIDA A 26 DE DEZEMBRO DE 1883 (ipsis litteris).


Mais quem foi essa professora? Por que seus restos mortais estão no referido lugar? A partir desses questionamentos que me fiz e que, certamente, a maioria das pessoas fariam, fui pesquisar.

É notório observar que os sepultamentos eram feitos na Matriz até 1862 quando passou a funcionar o cemitério público de Cimbres, sendo batizado como Cemitério São Sebastião, um dos padroeiros da tricentenária vila. Todavia, pelo óbito localizado da Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha a mesma foi sepultada numa catacumba no cemitério local e não na igreja. Vejamos o que diz dois registros de seu falecimento por mim localizados:

Aos vinte e seis de dezembro de mil oitocentos e oitenta e três, faleceu da vida presente, recebendo todos os sacramentos da Igreja Romana, Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, com idade de trinta e seis anos, professora pública da povoação d'Alagoinha, casada com o professor público desta povoação de Cimbres Joaquim Pedro da Rocha Pereira, e foi encomendada solenemente, e sepultada em uma catacumba do cemitério público desta Povão e amortalhada de preto, para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Vigário Raphael Limai. (ortografia atualizada)

CIMBRES.- Escrevem-nos em 21 de janeiro findo: […]Já essa conceituada Revista Diária noticiou o prematuro falecimento da professora de Alagoinhas, D. Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, e esposa do professor desta vila, que ficou assim viúvo e com quatro filhos menores. Resta-nos acrescentar que no dia 3 deste mês teve lugar a missa do sétimo dia com momento solene e depois a visita à catacumba do cemitério pelo Revdm. Vigário, família da finada e amigos do mesmo professor; e nessa ocasião após sufrágios da religião, o Sr. Quintino Aragão proferiu um discurso necrológico, que muito sensibilizou o auditórioii. (ortografia atualizada)


Pelos registros supracitados podemos notar o prestígio que os professores Joaquim Pedro da Rocha Pereira e sua esposa Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha detinham na comunidade cimbrense. Pelo seu óbito teria nascido Joaquina no ano de 1847, possivelmente no Recife, casaram na Matriz de São José, uma vez que em encontrei uma nota de jornal sobre as denunciações de proclamas em 18 de janeiro de 1869iii.


A professora Joaquina Cordeiro prestou exame de verificação de capacidade profissional para o magistério primário do sexo feminino entre os dias 2 e 7 de outubro de 1873, sendo aprovada pela antiga Secretária de Instrução Pública do estado de Pernambucoiv. Foi nomeada para exercer o magistério interinamente na cadeira do sexo feminino de Lagoa dos Gatos em 04/02/1874v. Em 10/07/1882 foi nomeada pela diretoria estadual de instrução pública como professora efetiva, sendo encaminhada para lecionar em Água Brancavi (não localizei onde ficava esse lugar).

No entanto, conforme notícia transcrita abaixo esse encaminhamento ficou sem efeito e a professora foi enviada para assumir a cadeira do sexo feminino do então povoado de Alagoinhas, hoje cidade do mesmo nome e que pertencia ao município de Cimbres, cuja sede administrativa já havia sido transferida desde 13/05/1836 para Pesqueira.

PARTE OFICIAL. Governo da Província. […] Expediente do dia 19 de agosto. Atos: - O presidente da província atendendo ao que requereu Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, resolve nomear a professora para a cadeira do sexo feminino de Alagoinhas; ficando sem efeito a portaria de 10 de julho findo que nomeou a peticionária professora da cadeira de Água Brancavii.

Todavia, seu período como professora de Alagoinha foi muito curto durou pouco mais de 01 anos, tendo falecido prematuramente aos 36 anos de idade e deixando 04 filhos menores, dos quais encontrei o nome de três: Jerônimo Eusébio da Rocha Pereira, Etelvina Cordeiro da Rocha Pereira e Alice Tecla da Rocha Pereira.


Quanto ao professor Joaquim Pedro da Rocha Pereira (10/04/1840-Recife,27/03/1914viii) é importante fazer algumas considerações. Exerceu o magistério público por mais de 30 anos, lecionando nos seguintes lugares: Lagoa dos Gatos (1868); Colônia Isabel (1879); Catende (1880); Bonito (1881); Cimbres (1882), Escada (1882), Afogados, Recife (1892); Boa Vista, Recife (1894). Aposentando-se em 1898 como professor jubilado.

O professor Joaquim tomou parte em várias entidades na capital pernambucana, nelas ocupando funções diretivas, dentre as quais destaco: 1-Sócio efetivo do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), dele fazendo parte das comissões de admissão de sócios (1902/1903) e de fundos e orçamento (1905/1906), sendo presidentes do Instituto nos períodos o desembargador Adelino Antônio de Luna Freire e o Dr. João Batista Rigueira Costa, respectivamente; 2-Conselheiro (1897), Presidente (1906 e 1909) e Tesoureiro (1907) do Grêmio dos Professores Primários do Recife; 3-Vice-presidente (1895) e Conselheiro (1900 e 1902) da Sociedade União Beneficente dos Professores; 4-Sócio da Cooperativa dos Funcionários Públicos de Pernambuco; 5-Jurado do conselho do júri da comarca do Recife; 6-Presidente da comissão examinadora da Instrução Pública municipal na Freguesia das Graças no Recife (1899).

Também foi sócio efetivo da Biblioteca Popular Pesqueirense, fundada em 01/01/1883, cuja primeira diretoria foi a seguinte: Diretor: Cônego Francisco Peixoto Duarte; Vice-diretor: Major Sátiro Ferreira Leite; 1º Secretário: Prof. Rufino Epifânio Rodrigues dos Santos; 2º Secretário: Capitão Manoel Cordeiro de Carvalho; Tesoureiro: José Martins Leitão; Orador: Prof. Franklin M. Martins; Consultores: Carlos Frederico Xavier de Brito, André Bezerra do Rego Barros e Antônio Armínio Gomes Coimbraix.

Ficando viúvo da professora Joaquina Cordeiro casou novamente com Josefa Carolina da Rocha Pereira, falecida em Olinda-PE dia 14/10/1934x e com ela teve os seguintes filhos: 1-Joaquim Pedro da Rocha Pereira Júnior, inspetor escolar; 2-Alfredo Erasmo da Rocha Pereira, funcionário dos Correios; 3-Beatriz Augusta Pereira de Lucena, professora estadual do Cabo; 4-Virgílio da Rocha Pereira; 5-Honorina Marieta da Rocha Pereira; 6- Olinto da Rocha Pereira; 7- Afonso Henrique da Rocha Pereira, falecido com apenas 07 anos 09/04/1902xi; e 8-Renato da Rocha Pereira.

Diante do exposto neste artigo, pudemos esclarecer os questionamentos iniciais descrevendo quem foi a finada professora e o seu esposo. Assim como, através das pesquisas foi possível localizar muitos registros em jornais da capital pernambucana como: Jornal do Recife, A Província e o Diário de Pernambuco, que muito contribuíram como fontes históricas. No entanto, ao final deste fica uma indagação:

Sendo que o sepultamento foi feito no cemitério da vila, por que os restos mortais de Joaquina Cordeiro de Jesus Pereira foi transladado para uma parede no sótão da Matriz de Cimbres? Por ora, o rabiscador destas linhas ainda não sabe, mais isso é o que apaixona na pesquisa histórica, ter a dúvida e sempre procurar por respostas.


Por Fábio Menino de Oliveira. 


NOTAS:

i Livro de óbitos da Matriz de Nossa Senhora das Montanhas de Cimbres, período de maio de 1865 a fevereiro de 1899, fls. 45, s/n de termo.
ii Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 01 de fevereiro de 1884, ano LX, nº 27, p. 2.
iii Jornal do Recife, segunda-feira, 18 de janeiro de 1869, ano XI, nº 13, p.1.
iv Diário de Pernambuco, Recife, sábado, 14 de outubro de 1873, ano XLIX, nº 234, p. 4.
v Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 08 de maio de 1874, ano L, nº 104, p.1.
vi Jornal do Recife, terça-feira, 25 de julho de 1882, ano XXV, nº 167, p.1.
vii Diário de Pernambuco, Recife, quinta-feira, 14 de setembro de 1882, ano LVIII, nº 209, p. 1.
viii Diário de Pernambuco, Recife, segunda-feira, 02 de março de 1914, ano 90, nº 31, p. 3.
ix Jornal do Recife, terça-feira, 22 de maio de 1883, ano XXVI, nº 116, p. 2.
x Diário de Pernambuco, Recife, 15 de outubro de 1939, ano 114, nº 289, p.6.
xi A Província, Recife, sexta-feira, 11 de abril de 1902, ano XXV, nº 81, p. 1.