sábado, 27 de junho de 2026

UM SÉCULO EM UM SÍMBOLO: A LOGOMARCA QUE ETERNIZOU O CENTENÁRIO DE PESQUEIRA

Como é de praxe, uma data importante precisa de uma marca que identifique sua relevância histórica e registre as comemorações. Assim foi concebida a logomarca do Centenário de Pesqueira (1880-1980), aprovada pela Comissão do Centenário de Pesqueira (COCENPESQ), sob a presidência de Oton Augusto de Almeida.

O desenhista responsável pela criação da logomarca foi Carlos Alberto Falcão da Rocha, sobre o qual se fazem necessários alguns dados biográficos.

Nascido em Pesqueira no dia 26 de abril de 1949, Carlos Alberto era filho de Luís Ferreira da Rocha (industriário e político, eleito vereador de Pesqueira por dois mandatos: 1947/1951 e 1955/1959) e de Maria Iracema Falcão da Rocha. O casal teve, além de Carlos Alberto, outros nove filhos: José Antônio, Maria do Carmo, Sílvio Romero, Paulo Eduardo, Luís Wilson, Maria Ângela, Maria Helena, José Geraldo e Cícero Eduardo (adotivo).

Pelo lado paterno, é neto de Simão Ferreira da Rocha, fundador da Fábrica Tigre em 1918, e de Luísa Carolina da Rocha. Pela linhagem materna, é neto de Heráclito Marinho Falcão, coletor de impostos no Brejo da Madre de Deus, e de Amália de Souza Falcão.

FAMÍLIA ROCHA. Em pé da esquerda para a direita José Antônio, Sílvio Romero, Iracema, Luís Rocha, Maria do Carmo e Paulo Eduardo. Embaixo da esquerda para a direita Carlos Alberto, José Geraldo e Luís Wilson. Na frente as meninas Maria Helena e Maria Ângela. Fotografia tirada em julho de 1961 na residência da família na Rua Cardeal Arcoverde, nº 65, próxima da Câmara de Vereadores.

Carlos Alberto mudou-se para Recife em 1964, onde concluiu no Colégio Pernambuco, o curso ginasial iniciado no Colégio Cristo Rei. Posteriormente, cursou o ensino superior na Escola Técnica Federal de Pernambuco, concluindo sua formação em 1968. Casou-se na capital pernambucana, em 12 de janeiro de 1976, com Áurea Belém Ferreira.

Do ponto de vista profissional, iniciou sua trajetória como desenhista, ingressando posteriormente como analista de sistemas na Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF), onde se aposentou.

A criação da logomarca do Centenário de Pesqueira surgiu a partir de um pedido de sua tia Nair Falcão, professora e diretora do tradicional educandário pesqueirense, o Colégio Ruy Barbosa, e irmã de sua mãe.

Carlos Alberto Falcão da Rocha.

Sobre o significado do símbolo, Carlos Alberto escreveu, em carta publicada pelo jornal Pesqueira Notícias, na edição de junho de 1996: “De minha autoria é a LOGOMARCA, ou seja, o símbolo onde estão a figura humana estilizada à frente das carretas, indicativos da valorização que deve ser dada ao ser humano em primeiro lugar e da vocação de cidade industrial de Pesqueira.”

Explicando de forma mais ampla o desenho tem como elemento principal a figura de um homem em tonalidade bronze que depois foi modificado para vermelho, associado ao algarismo “1”, formando a ideia do número 100. Esse homem representa o pioneiro, o desbravador das primeiras terras, o trabalhador rural e todos aqueles que contribuíram para a formação e o desenvolvimento do município. A imagem simboliza a força humana, a coragem e o espírito empreendedor que marcaram a história de Pesqueira desde suas origens.

Os dois zeros nas cores amarelo e verde que completam o número centenário destacam a comemoração dos 100 anos de história, enquanto as carretas com engrenagens representam a união dos homens voltados para o progresso. Esses elementos simbolizam o transporte, o comércio, a atividade econômica e o esforço coletivo responsável pelo crescimento da cidade, demonstrando a ligação entre o trabalho do campo, a produção e o desenvolvimento social.

Assim, a logomarca do Centenário sintetiza a memória e a identidade de Pesqueira, unindo passado, presente e futuro: o passado representado pelos pioneiros que construíram os primeiros caminhos; o presente marcado pela celebração de um século de conquistas; e o futuro simbolizado pelo movimento das engrenagens, indicando a continuidade da caminhada de progresso e transformação.

Em suma, Carlos Alberto fez muito mais do que uma marca comemorativa, ele teve a felicidade de eternizar um século em um símbolo. A sua criação concebeu uma insígnia que representa a própria essência do povo pesqueirense: a humanidade e o trabalho de um povo pioneiro, laborioso e unido, que construiu sua história através do esforço coletivo e da busca permanente pelo desenvolvimento.

Por Fábio Menino de Oliveira.

 

 

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