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| Foto do Álbum da Administração Cândido de Brito. |
A administração do prefeito Cândido
Cavalcanti de Brito (1923-1925) realizou importantes investimentos na área da
educação no município de Pesqueira. Para se ter uma ideia, no último trimestre
de 1923, a prefeitura destinou à instrução pública o valor de 2:946$940; já no
ano seguinte, o montante total investido passou para 16:574$420. Entre as ações
realizadas com esses recursos estava a construção dos grupos escolares
municipais.
Um desses grupos escolares recebeu o nome de
Escola Municipal Dr. Lídio Paraíba, em justa homenagem ao ilustre esculápio
gaúcho que adotou Pesqueira como sua terra e, por décadas, cuidou de sua
população — a mesma gente que lhe dedicava respeito, admiração e reconhecimento
pelo seu trabalho e por suas qualidades humanas.
De acordo com informações obtidas nos
periódicos Diário de Pernambuco e A Província (23/06/1925) a Escola
Municipal Dr. Lídio Paraíba foi inaugurada no sábado, 21 de junho de 1925, às
18h30. Estiveram presentes ao ato solene o Dr. Sérgio Loreto, governador de
Pernambuco; Dr. Aníbal Fernandes, secretário de Justiça e Instrução Pública;
Dr. Samuel Hardman, secretário da Agricultura; cônego Henrique Xavier,
presidente da Câmara dos Deputados Estaduais, acompanhado de seus pares, os
deputados Fraga Rocha, Bezerra Filho, Jorge Correia de Araújo e Anísio Galvão;
Cândido de Brito, prefeito de Pesqueira; e o homenageado, Dr. Lídio Paraíba.
Além deles, participaram outras autoridades, auxiliares e jornalistas que
integravam a comitiva governamental.
Discursaram na ocasião o jornalista e
deputado Anísio Galvão, em nome do prefeito Cândido de Brito, e o Dr. Lídio
Paraíba, que agradeceu a honraria de ter sido escolhido como patrono do novo
educandário municipal. Por último, usou da palavra a primeira professora da
escola, a senhorita Severina Duque, que proferiu um breve, porém belo discurso,
alusivo à solenidade.
Com relação à arquitetura do prédio
recém-inaugurado a mesma era simétrica e refinada, típica de construções institucionais
do interior brasileiro no início do século XX com influências do estilo
eclético simplificado, coroada por um vistoso telhado de quatro águas em telhas
coloniais e cornija saliente. Sua fachada exibia a inscrição pintada com o nome
do estabelecimento de ensino logo abaixo do beiral e contava com um mastro
vertical centralizado para o hasteamento da bandeira. A imponente porta central
de madeira almofadada e as duas janelas retangulares laterais eram preenchidas
por elegantes caixilhos quadriculados de vidro, sendo todas as aberturas
emolduradas por detalhadas sobrevergas decorativas e mísulas em relevo que
conferiam ao edifício público um forte senso de ordem, dignidade e permanência.
Vale salientar que, na mesma data, foram
inaugurados em Pesqueira o Grupo Escolar Virgínia Loreto (atual Ruy Barbosa) e
o Açougue Municipal. No dia seguinte, a comitiva dirigiu-se ao então distrito
de Rio Branco, atual Arcoverde, onde inaugurou o Grupo Escolar Dr. Loreto
Filho.

O grupo escolar com a inscrição na fachada Escola Municipal Dom Vital.
Foto do acervo de Marcelo O. Nascimento, 2012.
Pois bem, as únicas informações disponíveis
sobre o funcionamento da Escola Municipal Dr. Lídio Paraíba são aquelas
referentes à sua inauguração. Sabe-se que o nome do patrono do grupo escolar
foi alterado em data ainda não localizada, devido à escassez de fontes
documentais, passando a denominar-se Escola Municipal Dom Vital, nomenclatura
que já existia em 1953, conforme consta no Diário Oficial do Estado, edição de
27/05/1953, que registra a nomeação, pela Divisão de Ensino Profissional Rural
e Supletivo, da professora Estelita Leite de Mendonça para continuar lecionando
o ensino supletivo na Escola Municipal Dom Vital, localizada na sede do
município de Pesqueira.
Ao que consta, a Escola Municipal Dom Vital
permaneceu ativa até 1979, quando encerrou suas atividades como educandário.
Laurene Martins, em sua coluna Sempre aos
Domingos, publicada no jornal Nova
Era, edição de 27/01/1980, assim escreveu:
ESCOLA MUNICIPAL DOM VITAL. O Ano Internacional da Criança aqui em Pesqueira terminou com o fechamento de uma escola que servia para o aprimoramento da própria criança. Trata-se da Escola Municipal Dom Vital localizada à Praça Manoel Caetano de Brito, que agora é sede do Ciretran, numa prova talvez de que o DETRAN-PE vive na miséria e não pode construir um prédio aqui em Pesqueira. Nem mesmo alugar. Será que as taxas cobradas, são insignificantes? Tem água neste chope.
Com isso, após 54 anos de
atividades como escola, o prédio tornou-se sede da CIRETRAN de Pesqueira,
permanecendo naquela edificação por alguns anos. Posteriormente, não se sabe ao
certo para quais finalidades o imóvel foi utilizado. É certo, contudo, que
também serviu como sede da Pastoral da Criança e que, em meados de 2010, a
Prefeitura de Pesqueira fez a cessão do espaço para a Associação Cultural
Vivarte, tendo à frente Josinaldo Oliveira, Hercílio Torres e Carlos Henrique
Romeu Cabral (in memoriam).
A Vivarte promoveu a reforma do
prédio, que se encontrava em estado de abandono, e iniciou suas atividades
culturais por meio do teatro, do cineclubismo e de produções carnavalescas.
Contudo, as atividades precisaram ser suspensas em razão de problemas
estruturais, sobretudo relacionados ao telhado da edificação.
Ao completar 101 anos de
existência, o antigo prédio da Escola Municipal Dr. Lídio Paraíba,
posteriormente denominada Escola Municipal Dom Vital, permanece como um
importante testemunho da história educacional e cultural de Pesqueira. Suas
paredes guardam as memórias de gerações que ali tiveram acesso ao conhecimento,
à formação cidadã e às primeiras experiências no universo do saber, cumprindo,
durante décadas, o propósito maior para o qual foi construído: ser um espaço
dedicado à educação.
Hoje, ressignificado como sede da
Associação Cultural Vivarte, o imóvel passando por uma reforma, continuará
exercendo uma função social de grande relevância como espaço de valorização da
cultura, das artes e da memória coletiva. A preservação e a recuperação de sua
estrutura representam não apenas a restauração de um patrimônio arquitetônico
centenário, mas também a continuidade de uma missão iniciada em 1925: promover
conhecimento, formação e transformação social.
Em síntese, desejamos que aja o
apoio e o incentivo do poder público a Vivarte para que seja feita com urgência
a reforma desse prédio histórico com vistas a garantir sua permanência como um
verdadeiro Centro de Cultura e do Saber, unindo passado e presente, educação e
arte, memória e futuro. Assim, o antigo grupo escolar seguirá vivo, acolhendo
novas gerações e reafirmando sua importância como um dos espaços simbólicos da
identidade cultural de Pesqueira.
Por Fábio Menino de Oliveira.



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