sexta-feira, 13 de maio de 2016

ELEIÇÕES EM MIMOSO NO ANO DE 1930


O primeiro registro por mim localizado sobre uma eleição realizada no Distrito de Mimoso, Pesqueira-PE (criado pela Lei Municipal nº 142 de 30/11/1928) aconteceu nos dias 1º de março e 21 de abril de 1930.

Nesta época, possivelmente, foi instalada a primeira secção eleitoral do distrito, uma vez que, em período anterior a estas datas os eleitores da região de Mimoso estavam listados na 7ª secção eleitoral da Vila de Cimbres, conforme comprova uma Ata de Eleição realizada em 31 de outubro de 1929 para preenchimento de uma vaga para Senador Estadual e de outra para Deputado Estadual, onde constam entre outros nomes: Major Luís Tenório de Albuquerque, Capitão André Tenório Cavalcanti e Napoleão Tenório de Albuquerque.

As duas Atas eleitorais dos pleitos de 1º de março e 21 de abril estão transcritas nas primeiras 14 folhas do Livro de Casamentos B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso que foi instalado no início de 1930, pois, está registrado como local onde se realizou a eleição.

Imagem da capa do Livro- B/01- Cartório de Mimoso. Fonte:https://familysearch.org
O distrito de Mimoso constituía a 10ª secção eleitoral do município de Pesqueira que pertencia ao 3º distrito eleitoral do Estado de Pernambuco e nela estavam inscritos 243 votantes. Sobre as duas eleições é importante fazer os seguintes registros:

Em 1º de março era para eleger 05 Deputados Federais, 01 Senador Federal (para a legislatura 1930/1932), Presidente e Vice-Presidente da República (para o quadriênio 1930/1934). Compareceram 230 eleitores e foram votados em Mimoso os seguintes candidatos: Deputados Federais - Dr. Antônio de Souto Filho, 184 votos; Dr. Antônio Austregésilo Rodrigues Lima, 184; Dr. Eurico de Souza Leão, 184; e Dr. Francisco Pessoa de Queiroz, 184. Senador Federal – Dr. José Maria Belo, 230 votos; e Dr. José Henrique Carneiro da Cunha, nenhum voto. Vice-Presidente – Dr. Vital Henrique Batista Soares, 230 votos; e Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, nenhum voto. Presidente da República – Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, 230 votos; e Dr. Getúlio Dornelles Vargas, nenhum voto.
Dr. Júlio Prestes  (Itapetininga15/03/1882 — São Paulo09/02/1946). 
E
leito Presidente do Brasil não tomou posse por causa da Revolução de 1930.
Em 21 de abril foi realizada eleição para Governador de Pernambuco e em Mimoso o candidato Dr. José Maria Belo recebeu 232 sufrágios dos votantes que compareceram ao pleito. Vale salientar, que a Mesa eleitoral foi composta nas duas ocasiões por: Major Luís Tenório de Albuquerque (Presidente), Capitão André Tenório Cavalcanti (Mesário), Manoel Tenório de Brito (Mesário) e Napoleão Tenório de Albuquerque (Secretário).

Major Luís Tenório (Presidente da 10ª secção eleitoral de Mimoso em 1930).
Registra-se neste artigo mais um dado para a história de Mimoso citando aquelas que poderão ter sido as duas primeiras eleições realizadas no lugar em secção eleitoral própria do novo distrito pesqueirense recém-criado à época, conforme constam nas fontes documentais pesquisadas e supracitadas.


Por Fábio Menino de Oliveira


Referências

Livro de Casamentos – B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso, Pesqueira-PE, fls 1 a 14.


Livro de Casamentos – B/05 (Dez. 1928/ Fev. 1936) do Cartório do Registro Civil da Vila de Cimbres, Pesqueira-PE, fls 1 a 5.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A SEDE MUNICIPAL DE PESQUEIRA TEM 180 ANOS.

Foto de 1913 ou 1914, do livro: Ararobá, Lendária e Eterna de Luís Wilson (1980).

 O triênio 1833-1836 registra a fase de decadência da Vila de Cimbres como sede municipal, visto que a partir da primeira década do século XIX começam a surgir diversos fatos que culminariam com a transferência para a Povoação de Pesqueira. Vejamos:
 Em 1811, com a instalação da Ouvidoria nos termos os juízes togados que eram obrigados a permanecerem na vila passaram a residir no Brejo da Madre de Deus devido ao acesso mais fácil, a seguir transfere-se também a representação do Senado da Câmara. No ano de 1814, o ouvidor Dr. Antônio Joaquim Coutinho, consegue instituir a Alternativa da povoação do Brejo, dividindo os poderes com a Vila de Cimbres. Esta divisão de poder perduraria até 1833, quando foram criadas diversas Comarcas na Província de Pernambuco e Cimbres ficou reduzida a Termo da Comarca do Brejo.
         Não obstante a tais acontecimentos, a Câmara Municipal de Cimbres em sessão de 11 de julho de 1834, oficiava ao presidente da província de Pernambuco Dr. Francisco de Paula de Almeida e Albuquerque uma representação solicitando a transferência para a Fazenda Pesqueira. O governo provincial devolveu o ofício recomendando que a Câmara Municipal encaminha-se o referido para o Conselho Geral da Província, órgão competente para deferir ou não o pedido de transferência.
         Na sessão de 11 de outubro de 1834, a Câmara aprova o envio de ofício ao Conselho Geral da Província no sentido de conseguir o intento pleiteado. A situação da Vila de Cimbres se agravou em janeiro de 1835 quando uma epidemia de varíola dizimou boa parte da sua população deixando-a quase deserta, a situação beirava o caos.
          Em um Relatório publicado no jornal Gazeta Universal, de 7 de março de 1836, v. 1, n. 28, p. 3-4, que tratava sobre a transferência da Vila de Cimbres para a povoação de Pesqueira está exposta toda a situação, enumerando diversas razões para que se processe tal mudança, entre elas podemos destacar: a dificuldade de acesso a Cimbres (estando situada no cume da serra denominada Ororubá); estradas com muitas ladeiras e pedras que dificultam o trânsito público e o comércio; casas antigas; e a falta de uma feira. Bem como enaltecia todas as qualidades da moderna povoação de Pesqueira.
       Houve apelos de moradores da Vila de Cimbres para que não se procedesse a transferência conforme registrou a Gazeta Universal, de 07/03/1836, v.1, n. 28, p.1. Todavia, após apelos, defesas de ambos os lados e de uma disputa política de dois anos, a promulgação da Lei n. 20, de 13 de maio de 1836, deslocou definitivamente a sede de Cimbres para Pesqueira.
         Registrando assim um paradoxo, uma vez que, Pesqueira torna-se sede municipal em 13 de maio de 1836, vindo a ser emancipada muitos anos depois em 20 de abril de 1880 (Lei Provincial nº 1.484) continuando a ser município de Cimbres. A nomenclatura só viria a ser mudada mais alguns anos depois, em 1913, quando Pesqueira torna-se não só a sede como também o nome do município.
        Por fim, é importante reiterar que em 20 de abril se celebra o aniversário de emancipação política de Pesqueira, no entanto, o 13 de maio registra sua emancipação como sede administrativa do município de Cimbres.

Por Fábio Menino de Oliveira*.

*ARTIGO PUBLICADO NO INFORMATIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE PESQUEIRA (IHGP), Nº 0, ABRIL DE 2016.

sexta-feira, 25 de março de 2016

CANGACEIROS ATACAM A FAZENDA CABO DO CAMPO, PESQUEIRA-PE


Sítio Cabo do Campo, localizado no centro do mapa, entre os sítios Capim Grosso e Campina Nova,
próximo à Vila de Cimbres, Pesqueira-PE,

O título deste artigo foi dado por mim, no entanto, abaixo transcreverei na íntegra a notícia publicada no jornal A NOITE (Rio de Janeiro, sábado, 30 de outubro de 1937, ano XXV, nº 9.239, p. 2):

Os bandidos da meia-noite

PESQUEIRA, Pernambuco, outubro (Serviço especial d' A NOITE) – A cidade acaba de ter a notícia da prisão de um cangaceiro autor de vários crimes, capturado na Vila de Cimbres.
Trata-se de um ex-comparsa de Lampeão, alcunhado de “Cobra Verde” e “Come-Longe”, que levou a efeito o assalto da fazenda chamada Cabo do Campo, à frente de mais dois bandidos, um deles também cangaceiro, o Ricardino, e um outro “cabra” chamado João Isidoro.

Quem são os bandidos

O chefe dos assaltantes chama-se Florentino Paulo da Silva, natural do Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, conta 28 anos de idade, é um tipo repugnante, mas que agora de preso tenta dar à face uma expressão cínica de inocência, apesar de confessar sem comoção todos os seus hediondos crimes.
Contou-nos que esteve no grupo de “Lampeão” durante seis anos, tendo tomado parte em muitos tiroteios com as polícias de vários Estados.
Disse-nos no entanto que o seu papel no grupo não era o de bandido propriamente, mas encarregava-se das compras para o bando, e às vezes também na preparação da comida.
Fala muito mansamente, procurando dar um ar inocente à expressão do seu rosto, como dissemos acima, e entretanto enterrou friamente até o cabo enorme faca no peito da sua pobre vítima.
O outro assaltante, foi Antônio Ricardino da Silva, ex-sargento da polícia Paraibana, e, ao que informa “Cobra Verde”, também pertenceu a um grupo de cangaceiros, Ricardino é analfabeto, mas foi promovido àquele posto por atos de bravura quando as forças paraibanas sitiavam a cidade de Princesa, naquele Estado.
O terceiro “cabra” chamava-se João Isidoro e foi arranjado por “Cobra Verde” por sabê-lo “bem-disposto e valente”.

O motivo do crime

O cangaceiro capturado confessou que assaltara a fazenda porque soubera que o seu proprietário era homem rico e que tinha muito dinheiro em casa.
Essa informação foi prestada pelo indivíduo José Cabral, que também neste momento se acha preso na cadeia da cidade.

O crime

Assim, informados e guiados pelo indivíduo José Cabral, dirigiram-se para a fazenda Cabo do Campo, de propriedade de José Gabriel de Oliveira, que naquela ocasião estava em casa só com seu irmão Antônio Graciliano Leite.
À meia-noite, mais ou menos, bateram à porta do fazendeiro, que, ao abrir foi logo agarrado pelos criminosos.
Cobra Verde levava, como os outros, rifle, e uma faca conhecida em Pernambuco com o nome “peixeira”, porque é usada pelos vendedores para cortar peixe. Isidoro levava também um parabélum.
Pegados de surpresa, os dois homens tiveram que se render às ameaças dos facínoras, que exigiram logo que lhes fosse entregue todo o dinheiro que houvesse em casa, que eles acreditavam fossem 10 contos.
José Gabriel mostrou-lhes o dinheiro que possuía no momento, 1:400$000, que foi logo tomado pelos bandidos. Em seguida, duvidando que fosse aquele o único dinheiro que havia na casa, entraram a corrê-la, nada mais achando.
Após o saque, Cobra Verde saca da “peixeira” e friamente, enterra-a até o cabo no peito de José Gabriel. O irmão da vítima, ao ver o espetáculo, tenta reagir, mas no mesmo instante cai varado por duas balas de rifle e várias de parabélum.
Em seguida ao crime os bandidos evadiram-se.

A prisão de “Cobra Verde”

No dia seguinte, ao encontro dos corpos das vítimas, o comissário de Cimbres avisou o delegado de Pesqueira, capitão Manoel Maximiano dos Santos, que seguiu para o local do crime.
Imediatamente foram iniciadas as diligências para a captura dos cangaceiros, e somente muitos dias após o inspetor do distrito de Caroá conseguiu prender Cobra Verde em Afogados da Ingazeira.
Os outros dois criminosos continuam foragidos, mas com a polícia nas suas pegadas. (ortografia atualizada).

Cobra Verde (em pé e de braços cruzados) sendo interrogado na delegacia de Pesqueira.
Foto: d' A NOITE.

O crime praticado contra José Gabriel de Oliveira e Antônio Graciliano Leite ocorreu no dia 17 de setembro de 1937, conforme consta nas certidões de óbitos de ambos, que, localizei no Livro de Óbitos nº 3, 1935/1939, fls. 65v e 66, do Cartório do Registro Civil da Vila de Cimbres, Pesqueira-PE:

Assento de óbito número 558. Aos dezoito de Setembro de mil novecentos e trinta e sete, nesta Vila de Cimbres do município de Pesqueira, compareceu em meu cartório João Vitalino do Nascimento e declarou: Que ontem as onze digo as vinte e três horas no sítio Cabo do Campo, deste distrito devido homicídio faleceu, José Gabriel de Oliveira, solteiro, filho de Manoel Manoel Leite da Silva e Antônia Vitalina do Nascimento e foi sepultado no cemitério desta Vila. Eu, Francisco Tenório da Rocha Freire, Escrivão que o escrevi e assino. Francisco Tenório da Rocha Freire.

Assento de óbito número 559. Aos dezoito de Setembro de mil novecentos e trinta e sete, nesta Vila de Cimbres do município de Pesqueira, compareceu em meu cartório João Vitalino do Nascimento e declarou: Que ontem as onze digo as vinte e três horas no sítio Cabo do Campo, deste distrito devido homicídio faleceu, Antônio Graciliano Leite, filho de Manoel Lourenço Leite e Antônia Vitalina do Nascimento, solteiro, com quarenta anos de idade e foi sepultado no cemitério desta Vila. Eu, Francisco Tenório da Rocha Freire, Escrivão que o escrevi e assino. Francisco Tenório da Rocha Freire. João Vitalino.


Diante do contexto da notícia supracitada é possível notar a ação de grupos de cangaceiros na região compreendida entre os distritos de Mimoso e Cimbres, no município de Pesqueira-PE, demonstrando o quanto esse movimento estava presente e enraizado em todo o nordeste brasileiro, no período que compreende o final do século XIX e início do século XX.



Por Fábio Menino de Oliveira.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

A CRIAÇÃO DE UMA CADEIRA ESCOLAR MISTA EM MIMOSO (PESQUEIRA-PE) NO ANO DE 1897

           A criação da cadeira escolar mista do então povoado de Frecheiras (atual distrito de Mimoso) data de 27 de fevereiro de 1897, por iniciativa do prefeito do município de Cimbres Francisco Sinésio de Araújo Cavalcanti1. Para exercer o cargo fora nomeada professora pública D. Thereza de Brito Cavalcanti, conforme consta na citação a seguir:


Dia 27 [...] Remoção: Da professora D. Thereza de Britto Cavalcanti, da cadeira mista d’Ipojuca para de Frecheiras, creada n’esta data [...]”2


          Como podemos ver a professora foi removida da cadeira do povoado de Ipojuca para onde havia sido nomeada em 13 de abril de 1896, data em que se criou também a cadeira escolar mista de Ipojuca, atual distrito do município de Arcoverde.

         Tereza de Brito Cavalcanti (“Tetê”) era filha de Antônio de Brito Cavalcanti e Porcina de Olinda Nobre. Casou com o seu primo Francisco de Brito Cavalcanti (“Chico de Brito das Guaribas”, filho de Francisco de Brito Cavalcanti e Delmira de Olinda Nobre). Possivelmente foi a primeira professora pública de Mimoso sendo que este é o registro mais antigo até o presente momento encontrado sobre o funcionamento de uma sala de aula no lugar.

Mais de fato o que eram as escolas mistas? Para um entendimento melhor é necessário entender um pouco sobre o sistema educacional do fim do Império e início do período Republicano. Vejamos o que diz o trecho do artigo:


Escolas mistas. A lei que regulamenta as escolas mistas, no Brasil, data de 1879. No entanto, elas já existiam em Pernambuco, pelo menos, desde 1872. As informações sobre a sua existência, através dos Relatórios da Instrução Pública, só surgem a partir de 1876, quando já contava com treze escolas mistas espalhadas pela província. O advento da escola mista foi, ao que parece, uma tendência administrativa da Inspetoria durante a década de 70 do século XIX e, mais fortemente, na década seguinte, como forma de contenção de gastos em localidades mais afastadas das freguesias centrais do Recife e de Olinda” (BRAGA, 2003, p. 165)3.


Antes dessa época as escolas eram divididas apenas por sexo masculino e feminino. No entanto, a baixa frequência de alunos principalmente nas localidades do interior da província e a crise econômica no período final do Império, tornou-se necessário recorrer à criação de escolas mistas como contenção de gastos e para evitar uma educação ainda mais deficitária nos rincões menos favorecidos das províncias brasileiras.

Além disso a manutenção dessas “escolas” era de baixo custo para os governos municipais uma vez que:


[...] Os custos de contratação de um professor público eram mínimos, visto que o local a ser utilizado como sala de aula era procurado pela própria professora — só obrigando (mas nem sempre) o estado a pagar o aluguel, com preço fixo para todas as regiões. Por muito tempo, era um pagamento de 5 mil réis, insuficiente para cobrir a quantia total de um aluguel, por exemplo, no centro do Recife. De maneira geral, o único custo do estado com a educação era o pagamento de aluguéis e os vencimentos dos professores”4 (BRAGA, 2003, p. 168).


Essas escolas foram muito importantes no final do século XIX e início do XX porque em muitas localidades sua existência tornou-se o único caminho para a continuação do ensino público, ainda que beneficiando principalmente as classes mais favorecidas.

Com relação a cadeira mista de Mimoso há registros de seu funcionamento regular de 1897 até o início de 1902, pois consta o nome da professora Tereza de Brito como recebedora de pagamentos salarias mensais pela prefeitura de Cimbres (Pesqueira) no período acima mencionado, sem ter ocorrido interrupções nem tampouco há registros de demissão ou remoção para outro lugar.

Vale salientar que o salário anual de uma professora pública em Pesqueira no ano de 1899 era de 4:050$000 (quatro contos e cinquenta mil réis).

Em suma, se registra neste artigo mais alguns dados sobre a história do progressista distrito Mimoso, outrora denominado Frecheiras.


Por Fábio Menino de Oliveira.


1 Prefeito nos períodos de: 04/03/1896 a 15/11/1898 e 15/11/1901 a 15/11/1904; Deputado Estadual a 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª legislaturas no período de 1898 a 1912. Chefe rosista em Pesqueira.

2 Livro de Expediente da Prefeitura Municipal de Cimbres, 20/12/1895- 04/01/1902, fls. 18v.

3 A feminização do magistério em Pernambuco (1872-1890) de Flávia Bruna Ribeiro da Silva Braga, publicado na Revista de História, 5, 1-2 (2013), p. 151-177. Disponível em: http://www.revistahistoria.ufba.br/2013_1/a09.pdf. Acesso em: 27/02/2016:.

4 ob. cit.  


domingo, 31 de janeiro de 2016

A FESTA DO TOMATE NAS FÁBRICAS PEIXE EM 1936

Governador Lima Cavalcanti (ao centro) tendo a sua direita o industrial Manoel de Brito colhendo o primeiro tomate da safra na Fazenda Propriedade. Foto: O Malho, 10/09/1936.


        Realizada pela quarta vez entre os dias 08 e 09 de agosto de 1936, a Festa do Tomate das Fábricas Peixe constituíam um acontecimento de rara repercussão social da época, por ocasião desta festa eram iniciadas as colheitas de tomate da firma Carlos de Britto e Cia, tendo a sua frente o industrial Manoel Caetano de Brito.
A comitiva que veio a convite das Fábricas Peixe era composta de mais de 300 pessoas e saíram do Recife em trem especial às 5:20 da manhã e chegaram à Pesqueira às 12:30 do dia 08 de agosto. Em outro trem foram visitar as plantações da Fazenda Propriedade, que foi um dos primeiros plantios da fábrica em 1925 e que estava arrendada parte de suas terras a PEIXE desde esta época, uma vez que pertencia a histórica fazenda ao Major Luís Tenório de Albuquerque e que só passaria definitivamente as mãos da indústria em 1942, após o falecimento do Major Tenório.

Propriedade fora fundada nos idos de 1853 ou 1854 por Luís Tenório de Albuquerque (Lulu), pai do Major, tendo sua esposa Joaquina Branca de Siqueira recebido terras como herança do seu pai Tenente-Coronel Francisco Cavalcanti de Albuquerque, antigo senhor da Fazenda Jerimum, vizinho a Propriedade. Vale ressaltar que nesta fazenda nasceu Sete Gerações da família Tenório e que hoje encontram-se radicados no distrito de Mimoso, em Pesqueira e em vários outros lugares.

Voltando a Festa do Tomate, é importante fazer o registro das autoridades que dela participaram: Carlos de Lima Cavalcanti (Governador de Pernambuco); Barcellos Fagundes (Secretário de Agricultura); Deputado Pe. Félix Barreto (Presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco); Arsênio Meira, Matheus Vaz, Persivo Cunha, Livino Pinheiro, Pe. Gonzaga de Lira, Lins e Silva, Melânio de Barros, Souto Filho, Ruy Bello e Antônio Fontes (Deputados Estaduais). Além destes, se fizeram presentes representantes dos comandantes da Região Militar e da Brigada Militar do Estado, banqueiros, industriais e jornalistas.

O Governador Lima Cavalcanti esteve em Propriedade (plantio de tomates com 120 hectares) e colheu o primeiro tomate da safra 1936. Ao ser abordado pela imprensa pernambucana no retorno à Recife, proferiu as seguintes palavras:

“-Como governador do meu estado, volto de Pesqueira satisfeito por ter atendido ao convite da tradicional família Brito.[…] Volto entusiasmado com o que vi. As plantações de tomate ultrapassaram mesmo a minha expectativa. Não as julgava tão extensas e obedecendo a métodos tão absolutamente e racionais de produção. [...]” (O MALHO, RJ, 10/09/1936, p. 33).

Notamos portanto, quão grande era o prestígio das Fábricas Peixe, uma das maiores indústrias do país com destaque econômico, social e histórico. A Peixe sempre soergueu e levantou aos mais altos patamares o nome da nossa querida e amada Pesqueira, prova disto eram a concorrência de autoridades de todas as esferas a prestigiarem as tradicionais Festa do Tomate, que se realizaram por muitos anos.


Por Fábio Menino de Olive

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

OS PRIMEIROS SEPULTAMENTOS DO CEMITÉRIO DE MIMOSO, PESQUEIRA-PE.

Foto: Álbum de Pesqueira, 1925, imagem 77.


O cemitério público de Mimoso foi construído na administração do prefeito major Cândido Cavalcanti de Britto (1923/1925) e inaugurado no dia 18 de outubro de 1925. Antes disso, os sepultamentos eram realizados no cemitério da Vila de Cimbres.
Pesquisando no Livro de Óbitos da Matriz de Cimbres no período de Fevereiro de 1912 a Agosto de 1945, localizei no mesmo os primeiros sepultamentos do novo cemitério, os quais transcrevo abaixo:

1º Umbelina de Albuquerque Araújo (18/12/1925):
“No dia dezoito de Dezembro do ano próximo (1925), em Mimoso desta Freguesia, falecera Umbelina de Albuquerque Araújo, com vinte e nove anos de idade, casada com Abílio de Tal e foi sepultada no Cemitério do Povoado de Mimoso. E para constar, mandei fazer este termo que assino. P. Emilio Silvech” [Registro nº 26, fls. 84 e 84v.].

2º Josepha Joaquina da Conceição (12/05/1926):
“No dia doze de Maio de mil novecentos e vinte seis, em Mimoso desta Freguesia, falecera Josepha Joaquina da Conceição, com quarenta e sete anos de idade, casada com Manoel de Siqueira Cavalcanti, e foi sepultada no Cemitério Público do Povoado de Mimoso. E para constar mandei fazer este termo que assino. Mons. Rocha” [Registro nº 58, fls. 88v. e 89].

3º Manoel Magalhães de Mello Manso (13/08/1926):
“No dia treze de Agosto de mil novecentos e vinte seis, em Mimoso desta Freguesia, falecera Manoel Magalhães de Mello Manso, com cinquenta e nove anos de idade, casado com Camilla da Silva Barros e foi sepultado no Cemitério Público do Povoado de Mimoso. E para constar mandei fazer este termo que assino. Mons. Rocha” [Registro nº 73, fls. 91].

4º Laurinda Joana de Araújo (28/08/1926):
“No dia vinte e oito de Agosto de mil novecentos e vinte seis, em Mimoso desta Freguesia, falecera Laurinda Joana de Araújo, com sessenta e quatro anos de idade, casada com Manoel Libério dos Santos, recebera os últimos sacramentos pelo Revm. Pe. João Felipe, da Freguesia de Pesqueira. E para constar mandei fazer este termo que assino. Mons. Rocha” [Registro nº 74, fls. 91].

5º Luiz (28/08/1926):
“Aos vinte e oito de Agosto de mil novecentos e vinte seis, em Mimoso desta Freguesia, falecera Luiz com quatro meses de idade, filho legitimo de Felix Marinho de Espíndola e Maria Daria de Espíndola e foi sepultado no Cemitério Público do Povoado de Mimoso. E para constar mandei fazer este termo que assino. Pe. Ignácio Maria Bruguere” [Registro nº 08, fls. 92v.].

6º Francisco Manoel dos Santos (04/02/1927):
“Aos quatro de Fevereiro de mil oitocentos vinte sete, em Mimoso desta Freguesia, falecera Francisco Manoel dos Santos, com sessenta e três anos de idade, casado com Joaquina Maria de Vasconcelos, e foi sepultado no Cemitério Público do Povoado de Mimoso. E para constar mandei fazer este termo que assino. Pe. Ignácio Maria Bruguere” [Registro nº 09, fls. 93].

7º Félix de Siqueira Cavalcanti (10/02/1927):
“Aos dez de Fevereiro de mil oitocentos vinte sete, no Sitio Jatobá desta Freguesia, falecera Félix de Siqueira Cavalcanti, com sessenta anos de idade, casado com Antônia Tenório Cavalcanti e foi sepultado no Cemitério Público do Povoado de Mimoso. E para constar mandei fazer este termo que assino. Pe. Ignácio Maria Bruguere” [Registro nº 10, fls. 93].

Certamente, esses devem ter sido os primeiros sepultamentos do cemitério de Mimoso, uma vez que na época não havia registros de óbitos em cartórios como ocorre atualmente, todos os assentamentos eram feitos nas igrejas, no caso da região de Mimoso se recorria a histórica Matriz de Nossa Senhora das Montanhas, na Vila de Cimbres.


Por Fábio Menino de Oliveira.


REFERÊNCIAS:

ÁLBUM DE PESQUEIRA, ESTADO DE PERNAMBUCO. Organizado na administração do coronel Cândido Cavalcanti de Britto, na gestão de 1923 a 1925.

BRASIL, PERNAMBUCO, Registros Igreja Católica, 1762-2002/Cimbres/Nossa Senhora das Montanhas, Óbitos, Fev. 1912-Ago. 1945. Fonte: https://familysearch.org.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O DIA QUE A TERRA TREMEU EM PESQUEIRA-1923


 
Manchete do Jornal A NOITE de 02/10/1923.

             Esse tremor de terra em Pesqueira ocorreu em 1 de outubro de 1923 e foi destaque nos jornais da capital do país, que na época era o Rio de Janeiro. O jornal A NOITE de 02/10/1923 trazia a seguinte notícia sobre o fato ocorrido na cidade do interior pernambucano:

FOGO NO CÉU E TREMOR NA TERRA
Estranhos fenômenos sísmicos no interior de Pernambuco.
Hipóteses admitidas pelo diretor do Observatório Nacional.

            Publicamos ontem um despacho da estação de Pesqueira [1], no Estado de Pernambuco e dirigido à Diretoria de Meteorologia, comunicando-lhe que fora sentido às 11 horas e 20 minutos, um tremor de terra, precedido de forte clarão, acompanhado de vários estampidos. Hoje os telegramas de nossos correspondentes especiais, em diversas localidades do interior pernambucano, confirmam aquele despacho e demonstram que o fenômeno abrangeu uma vasta zona.
            No lugar da faixa começou a ser vista uma espécie de fumaça e, em seguida, ouviram-se três fortíssimos estampidos, acompanhados de outros menos fortes.
            A população da cidade ficou bastante alarmada, principalmente porque algumas pessoas sentiram o calor do fogo.
            Sabe-se aqui agora, que em Alagoa do Monteiro [2], distante trinta léguas a leste daqui, foi presenciado por muitas pessoas o estranho fenômeno.
            O Brasil tem fama de ser um país privilegiado, sem vulcões e sem terremotos, mas, por várias vezes, grandes arrepios tem abalado o seu ótimo solo como já se observou não há muito, no Espírito Santo, no Estado do Rio e São Paulo.
            Esses abalos sísmicos apenas produziram espanto, mas o que agora se registra começava a causar alarme, tornando-se, pois, necessário explica-lo, mediante os elementos que porventura possuía o Observatório Nacional. Quando procuramos o Dr. Morize [3], já o alarme havia chegado ao seu gabinete, através de angustiosos telefonemas, em que lhe eram pedidas informações sobre o que ocorrera, ou estava ocorrendo no Norte.
           
Uma nota do Observatório
            Em vista dessas perguntas telefônicas, o Dr. Morize redigiu para ser publicada a seguinte nota:
            ‘Tendo anunciado nos jornais de ontem, à tarde, (dia 1º), a produção de um terremoto de regular intensidade que se teria manifestado em Pesqueira nesse mesmo dia, houve repetidas perguntas telefônicas indagando se os sismógrafos haviam registrado aqui alguma perturbação. Examinando-se então, o traçado dos aparelhos de inscrição mecânica, sem interromper o seu funcionamento e nada se encontrou. O aparelho Milne Shaw, muito mais sensível, por ser de registro fotográfico, somente hoje, depois de reveladas as folhas e suficientemente secas, poderá ser consultado, depois de meio-dia, e confirmará ou não a chegada até este capital das ondas vindas de Pernambuco. Entretanto, o mesmo aparelho, na folha relativa ao intervalo de 29 a 30 de setembro, somente ontem examinada por ter sido domingo o dia 30, manifesta um movimento regular intensidade, cujas fases não são muito nitidamente reconhecíveis, o que impede que a distância calculada do epicentro seja segura, encontrando-se assim mesmo cerca de3.330 kms.
            Começou a 22h43m4s do dia 29, manifestando-se as ondas longas a 22h58m3s e terminando-se a 23h25m00, isto é, antes da meia-noite inicial do dia 30, e não pode, portanto se referir ao sismo ocorrido no Estado de Pernambuco no dia 1º’.
            [...]
Um meteorito?
            Diante dos telegramas, cujos textos lhe mostramos, o Dr. Morize formulou a seguinte hipótese:
            - Talvez fosse um meteorito poderoso que tivesse encontrado a terra, porque quando um fato desta natureza se produz, é habitualmente acompanhado pela produção de um facho de luz e de um ruído forte que acompanha a sua trajetória no meio da atmosfera. Se o meteorito é destinado a cair no lugar onde ele choca a terra, há a produção de um verdadeiro terremoto em escala pequena. Se a trajetória dele é muito rasante com a superfície da terra, tanto a luz como o ruído poderá ser sentido através de distâncias consideráveis. Às vezes, os observadores julgam que o meteorito caiu próximo, porém, ele apenas passou, continuando seu trajeto. Nesse caso não há terremoto.
            [...]
Os detalhes do fenômeno sísmico chegados da capital pernambucana
            RECIFE, 2 (Serviço especial de A NOITE, pelo cabo submarino) - Pela segunda vez de quatro meses em quatro meses, a esta parte observou-se ontem aqui, um abalo do solo, sendo que dá primeira, tendo o fenômeno sido sensível somente em Pesqueira, foi menor do que agora, embora tivesse caráter perfeitamente extraordinário.
            O fenômeno sísmico atingiu os municípios de Pesqueira, São Caetano, Antônio Olinto [4] e outras localidades. Ao tremor da terra procedeu um clarão alarmante, para, logo depois se ouvirem estrondos medonhos de intensidade indescritível.
            O tremor do solo durou 60 segundos e a população desta vastíssima região, que abrange grande parte do centro do Estado, tornou-se de pânico.
            O clarão e os estrondos foram tão grandes que se estenderam até os municípios de Pedra, São Bento, Buíque, Altinho e outros. Os habitantes da Região atingida pelo tremor de terra mostram-se aterrorizados.
            [...]

Estação meteorológica de Pesqueira, Pernambuco- Fotografia tirada por ocasião de uma visita, veem-se: 1- Dr. V. P. Cooke; 2- Manoel Paulino Cavalcanti; 3- Coronel Carlos Brito; 4- Dr. Paulo Netto dos Reis; 5- Eutíquio de Barros Correia; 6- Coronel Antônio Alves de Araújo; 7- Manoel Brito; e 8- Glicério de Almeida Maciel (O Malho, 1912, Ano XI, nº 512). 

           
            Considerações do Editor:

Diante do exposto nesse trecho da extensa reportagem publicada no periódico A NOITE está narrado todo o fato do tremor de terra em Pesqueira seguido de um forte clarão e vários estampidos ouvidos não só na cidade como em outros municípios da região. Outro ponto a ser destacado é a hipótese proposta pelo Dr. Henrique Charles Morize (Diretor do Observatório Nacional) que teria sido um meteorito que caiu e não um terremoto, conforme está destacado acima.
Dr. Henrique Charles Morize (Foto: site do Observatório Nacional).

            Vale salientar que outros jornais do Rio de Janeiro também citaram em notas curtas o que ocorreu em Pesqueira, como foi o caso de O PAIZ, O JORNAL, CORREIO DA MANHÃ e o DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO em suas edições de 02/10/1923, e que se constituíam em periódicos de muita expressão a nível federal, o que deixa claro a veracidade dos fatos.
            Esse foi um fato histórico pesqueirense de muita repercussão e que por mim era desconhecido, no entanto, este é o trabalho de quem pesquisa, buscar sempre novas fontes e trazer à tona acontecimentos que com o passar dos anos foram ficando esquecidos, todavia merecem ser divulgados para que sirvam de estímulo para outros que se interessam pela gloriosa história da nossa querida e amada Pesqueira.

Sr. Oswaldo Magalhães, encarregado da Estação Meteorológica de Pesqueira, Pernambuco, e pessoas de sua família (O Malho, 1922, Ano XXI, nº 1.016).


Por Fábio Menino de Oliveira.



             
            Notas:

1-       A estação meteorológica de Pesqueira era dirigida na década de 1920 por Oswaldo Magalhães;

2-       Alagoa do Monteiro é a atual cidade de Monteiro, estado da Paraíba;

3-       Henri Charles Morize ou Henrique Morize (Beaune- França, 31 de dezembro de 1860 — Rio de Janeiro, 19 de março de 1930) foi um engenheiro industrial, geógrafo e engenheiro civil francês, naturalizado brasileiro. Trabalhou também como astrônomo. Radicou-se no Brasil em 1874, tendo sido designado por Luiz Cruls para chefiar a turma que demarcou o vértice S.E. do Distrito Federal. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) de 1916 a 1926 e diretor do Observatório Nacional (ON) entre 1908 e 1929. Era também Doutor em Ciências Físicas e Matemáticas e foi 2º Comissário da Comissão da República Argentina (1902-1904) do Ministério das Relações Exteriores;

4-       Antônio Olinto é a atual cidade de Tacaimbó, estado de Pernambuco.


Referências:

A NOITE, Rio de Janeiro, terça-feira, 2 de outubro de 1923, Ano XIII, nº 4.255, p.1.

CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, terça-feira, 2 de outubro de 1923, Ano XXIII, nº 9.879, p.3.

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, Rio de Janeiro, terça-feira, 2 de outubro de 1923, p.66, Seção 1.

O MALHO, Rio de janeiro, julho de 1912, Ano XI, Nº 512, p. 9.

_________, Rio de Janeiro, 4 de março de 1922, Ano XXI, nº 1.016, p.27.

O JORNAL, Rio de Janeiro, terça-feira, 2 de outubro de 1923, Ano V, nº 1.452, p.2.

O PAIZ, Rio de Janeiro, terça-feira, 2 de outubro de 1923, Ano XL, nº 14.226, p.6.