sexta-feira, 3 de junho de 2016

CANGACEIROS ATACARAM IPANEMA EM 1936

Fotografia de Ipanema, anterior a 2004 por ainda não ter o calçamento em frente a secular
 igrejinha do povoado.
Disponível em:http://atrativope.blogspot.com.br/2014/01/pesqueira-atrativos-naturais-e.html 
O ano de 1936 registrou alguns fatos de agitação no povoado de Ipanema, Pesqueira-PE, conforme noticiou o Diário de Pernambuco nos dias 07 e 09 de junho de 1936. Ocorreu nessa época a passagem de um grupo de cangaceiros liderados por Virgínio, cunhado do mais famoso dos cangaceiros do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva “o Lampião”.Vejamos a narrativa dos fatos dada pelo Diário de Pernambuco:

BANDIDOS NO LUGAREJO IPANEMA. O COMANDANTE DE UMA DAS FORÇAS VOLANTES TELEGRAFA A SECRETÁRIA DE SEGURANÇA. Ontem, à noite, a Secretária de Segurança recebeu telegrama do comandante de uma volante em Pesqueira. Informava que alguns bandidos passavam pelo lugarejo denominado Ipanema. A volante saiu em seu encalço, travando ligeiro tiroteio. Os cangaceiros, porém, fugiram em debandada. A polícia não sabe si se trata de Lampião ou do grupo de Virgínio[1].

OS BANDIDOS EM PESQUEIRA. UM TELEGRAMA DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. Recebemos ontem de Pesqueira o seguinte telegrama: “PESQUEIRA, 7 – Confirmando meu telegrama publicado nesse jornal sobre a passagem de um grupo de cangaceiros neste município, foi atacada, ontem, a fazenda Catolé, distante apenas 15 quilômetros desta cidade. Foi sequestrado pelos assaltantes o proprietário da mesma fazenda sr. Rogério Brito, para cujo resgate exigiram três contos de réis. (a) Antônio Araújo, presidente da Associação Comercial”.[2]

Na segunda notícia é possível observar que o grupo de cangaceiros no dia 06 de junho sequestrou Rogério Cavalcanti de Brito[3], dono da Fazenda Catolé e exigiram a quantia de 3 contos de réis para libertá-lo. O fazendeiro foi levado para o lugar Carrapateira, próximo a Boa Sorte (Pedra/PE), para onde o seu filho Renato Tenório de Brito levou o dinheiro e o resgatou.
Fazenda Catolé antes de ser deteriorada. Foto de Mariana Freitas.
Consta também que estavam na lista para que dessem dinheiro aos cangaceiros os fazendeiros de Ipanema, José Leopoldo de Carvalho, Joaquim Leopoldo de Carvalho e José Marcos de Carvalho, que por sorte escaparam.
Quanto ao tiroteio citado na primeira notícia que teria ocorrido em Ipanema deve ter se dado na fuga dos cangaceiros, todavia não localizei fontes que pudesse esclarecer ou enriquecer com novos detalhes o fato mencionado.
O fato é que Ipanema vivenciou também em sua história o cangaço que se alastrou por todo o Nordeste brasileiro por algumas décadas no final do século XIX e início do XX e teve em Lampião, Corisco e Antônio Silvino, seus principais expoentes.
Praça Joaquim de Carvalho Cavalcanti em Ipanema e a linda árvore com seus flamboyants floridos.
Disponível em:http://atrativope.blogspot.com.br/2014/01/pesqueira-atrativos-naturais-e.html 

Por Fábio Menino de Oliveira.




[1] Diário de Pernambuco, domingo, 7 de junho de 1936, Ano 111, Nº 134, p. 3.

[2] Idem, terça-feira, 9 de junho de 1936, Ano 111, nº 135, p. 8.

[3] Sobre o sequestro de Rogério de Brito e o ataque de Virgínio à Fazenda Catolé trato de forma mais abrangente e detalhada no livro BARRA: REMINISCÊNCIAS E NOTAS PARA A HISTÓRIA DE IPANEMA, PESQUEIRA-PE (2016, p. 147-149)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

AOS LEITORES



NOTA:

Olá amigos! É com muita felicidade que estou divulgando meu livro: Barra – Reminiscências e notas para a história de Ipanema, Pesqueira-PE. Os interessados em adquiri-lo poderão fazê-lo através do site Clube dos Autores (acessem: https://www.clubedeautores.com.br/book/208938--Barra__Reminiscencias_e_Notas_para_a_Historia_de_Ipanema)pelo valor de R$ 45,00 mais o frete de R$ 10,14. Vale ressaltar, que em determinadas datas o site oferece promoções e o comprador poderá obter algum desconto. As formas de pagamento são boleto bancário e cartão de crédito, sendo que o site é 100% seguro e a entrega é feita dentro do prazo.

Todavia, quem não desejar comprar pelo site pode entrar em contato comigo pelo e-mail: fabiomenino2@gmail.com; telefones: (87) 9 9147-1946 e (87) 9 8157-8936; whatsapp: (87) 9 9147-1946. Nesse caso, eu faço o pedido em meu nome e a pessoa me repassa o valor fixo de R$ 55,00 pois, não tenho como prever se na data em que vou pedir o livro ele estará com desconto.

Agradeço a atenção e peço que compartilhem com seus amigos para que mais pessoas possam tero privilégio de conhecer a História de Ipanema.


Atenciosamente, Fábio Menino (Júnior).





terça-feira, 17 de maio de 2016

NOTÍCIAS SOBRE MIMOSO NO ANO DE 1919

Igreja de São Sebastião em Mimoso, s/d. Foto: cortesia de Sandra Tenório.

Transcreverei abaixo duas notícias publicadas no Diário de Pernambuco sobre a formação de uma comissão organizadora para as festividades do Natal a se realizarem no então povoado de Mimoso, Pesqueira-PE, no ano de 1919.


*DP, sábado, 13/12/1919, ano 95, nº 339, p. 5:

PESQUEIRA 7-12-919 – Os moradores do povoado de Mimoso, pretendendo comemorar solenemente o dia de Natal, organizaram a seguinte comissão para tratar dos festejos: Presidente, major André Tenório Cavalcanti; vice-presidente, tenente Gervásio Cavalcanti de Brito; secretário, capitão Luiz Antônio Gama; tesoureiro, capitão Enéas Pergentino de Lima; fiscal, tenente Tito Tenório Cavalcanti; zeladores, tenente Odilon Tenório Cavalcanti, tenente Amaro Xavier de Freitas; orador, capitão David Peixoto de Lima; comissão de ornamentação – exmas. dd. Maria de Oliveira Lima, Amália de Moura Cavalcanti, Maria Emília Gama, Cecília Magalhães de Brito, Maria Antônia de Freitas, Francisca Firme de Brito, Maria Clementina Peixoto, Silvina Tenório de Albuquerque; senhoritas, Maria Tenório, Marieta, Izabel Francisco dos Santos, Estefânia Francisca dos Santos, Maria Pereira de Vasconcelos, Alzira Tenório de Brito e Olívia Umbuzeiro Cavalcanti.


*DP, sábado, 03/01/1920, ano 96, nº 02, p. 4:

PESQUEIRA 21-12-919 - [..] Deverá ser festivamente comemorado na Vila de Mimoso o dia de Natal. A comissão promotora das festividades, organizou um atraente programa que constam passeata, danças e entretenimento populares. A missa terá lugar à meia-noite.


Registro também que a missa na noite de Natal acontece até os dias atuais, sendo uma tradição quase centenária do distrito de Mimoso e, que possivelmente essa festa religiosa tenha ocorrido na igreja de São Sebastião, pois ainda não havia sido construída a igreja de Nossa Senhora da Conceição.



Por Fábio Menino de Oliveira.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ELEIÇÕES EM MIMOSO NO ANO DE 1930


O primeiro registro por mim localizado sobre uma eleição realizada no Distrito de Mimoso, Pesqueira-PE (criado pela Lei Municipal nº 142 de 30/11/1928) aconteceu nos dias 1º de março e 21 de abril de 1930.

Nesta época, possivelmente, foi instalada a primeira secção eleitoral do distrito, uma vez que, em período anterior a estas datas os eleitores da região de Mimoso estavam listados na 7ª secção eleitoral da Vila de Cimbres, conforme comprova uma Ata de Eleição realizada em 31 de outubro de 1929 para preenchimento de uma vaga para Senador Estadual e de outra para Deputado Estadual, onde constam entre outros nomes: Major Luís Tenório de Albuquerque, Capitão André Tenório Cavalcanti e Napoleão Tenório de Albuquerque.

As duas Atas eleitorais dos pleitos de 1º de março e 21 de abril estão transcritas nas primeiras 14 folhas do Livro de Casamentos B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso que foi instalado no início de 1930, pois, está registrado como local onde se realizou a eleição.

Imagem da capa do Livro- B/01- Cartório de Mimoso. Fonte:https://familysearch.org
O distrito de Mimoso constituía a 10ª secção eleitoral do município de Pesqueira que pertencia ao 3º distrito eleitoral do Estado de Pernambuco e nela estavam inscritos 243 votantes. Sobre as duas eleições é importante fazer os seguintes registros:

Em 1º de março era para eleger 05 Deputados Federais, 01 Senador Federal (para a legislatura 1930/1932), Presidente e Vice-Presidente da República (para o quadriênio 1930/1934). Compareceram 230 eleitores e foram votados em Mimoso os seguintes candidatos: Deputados Federais - Dr. Antônio de Souto Filho, 184 votos; Dr. Antônio Austregésilo Rodrigues Lima, 184; Dr. Eurico de Souza Leão, 184; e Dr. Francisco Pessoa de Queiroz, 184. Senador Federal – Dr. José Maria Belo, 230 votos; e Dr. José Henrique Carneiro da Cunha, nenhum voto. Vice-Presidente – Dr. Vital Henrique Batista Soares, 230 votos; e Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, nenhum voto. Presidente da República – Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, 230 votos; e Dr. Getúlio Dornelles Vargas, nenhum voto.
Dr. Júlio Prestes  (Itapetininga15/03/1882 — São Paulo09/02/1946). 
E
leito Presidente do Brasil não tomou posse por causa da Revolução de 1930.
Em 21 de abril foi realizada eleição para Governador de Pernambuco e em Mimoso o candidato Dr. José Maria Belo recebeu 232 sufrágios dos votantes que compareceram ao pleito. Vale salientar, que a Mesa eleitoral foi composta nas duas ocasiões por: Major Luís Tenório de Albuquerque (Presidente), Capitão André Tenório Cavalcanti (Mesário), Manoel Tenório de Brito (Mesário) e Napoleão Tenório de Albuquerque (Secretário).

Major Luís Tenório (Presidente da 10ª secção eleitoral de Mimoso em 1930).
Registra-se neste artigo mais um dado para a história de Mimoso citando aquelas que poderão ter sido as duas primeiras eleições realizadas no lugar em secção eleitoral própria do novo distrito pesqueirense recém-criado à época, conforme constam nas fontes documentais pesquisadas e supracitadas.


Por Fábio Menino de Oliveira


Referências

Livro de Casamentos – B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso, Pesqueira-PE, fls 1 a 14.


Livro de Casamentos – B/05 (Dez. 1928/ Fev. 1936) do Cartório do Registro Civil da Vila de Cimbres, Pesqueira-PE, fls 1 a 5.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A SEDE MUNICIPAL DE PESQUEIRA TEM 180 ANOS.

Foto de 1913 ou 1914, do livro: Ararobá, Lendária e Eterna de Luís Wilson (1980).

 O triênio 1833-1836 registra a fase de decadência da Vila de Cimbres como sede municipal, visto que a partir da primeira década do século XIX começam a surgir diversos fatos que culminariam com a transferência para a Povoação de Pesqueira. Vejamos:
 Em 1811, com a instalação da Ouvidoria nos termos os juízes togados que eram obrigados a permanecerem na vila passaram a residir no Brejo da Madre de Deus devido ao acesso mais fácil, a seguir transfere-se também a representação do Senado da Câmara. No ano de 1814, o ouvidor Dr. Antônio Joaquim Coutinho, consegue instituir a Alternativa da povoação do Brejo, dividindo os poderes com a Vila de Cimbres. Esta divisão de poder perduraria até 1833, quando foram criadas diversas Comarcas na Província de Pernambuco e Cimbres ficou reduzida a Termo da Comarca do Brejo.
         Não obstante a tais acontecimentos, a Câmara Municipal de Cimbres em sessão de 11 de julho de 1834, oficiava ao presidente da província de Pernambuco Dr. Francisco de Paula de Almeida e Albuquerque uma representação solicitando a transferência para a Fazenda Pesqueira. O governo provincial devolveu o ofício recomendando que a Câmara Municipal encaminha-se o referido para o Conselho Geral da Província, órgão competente para deferir ou não o pedido de transferência.
         Na sessão de 11 de outubro de 1834, a Câmara aprova o envio de ofício ao Conselho Geral da Província no sentido de conseguir o intento pleiteado. A situação da Vila de Cimbres se agravou em janeiro de 1835 quando uma epidemia de varíola dizimou boa parte da sua população deixando-a quase deserta, a situação beirava o caos.
          Em um Relatório publicado no jornal Gazeta Universal, de 7 de março de 1836, v. 1, n. 28, p. 3-4, que tratava sobre a transferência da Vila de Cimbres para a povoação de Pesqueira está exposta toda a situação, enumerando diversas razões para que se processe tal mudança, entre elas podemos destacar: a dificuldade de acesso a Cimbres (estando situada no cume da serra denominada Ororubá); estradas com muitas ladeiras e pedras que dificultam o trânsito público e o comércio; casas antigas; e a falta de uma feira. Bem como enaltecia todas as qualidades da moderna povoação de Pesqueira.
       Houve apelos de moradores da Vila de Cimbres para que não se procedesse a transferência conforme registrou a Gazeta Universal, de 07/03/1836, v.1, n. 28, p.1. Todavia, após apelos, defesas de ambos os lados e de uma disputa política de dois anos, a promulgação da Lei n. 20, de 13 de maio de 1836, deslocou definitivamente a sede de Cimbres para Pesqueira.
         Registrando assim um paradoxo, uma vez que, Pesqueira torna-se sede municipal em 13 de maio de 1836, vindo a ser emancipada muitos anos depois em 20 de abril de 1880 (Lei Provincial nº 1.484) continuando a ser município de Cimbres. A nomenclatura só viria a ser mudada mais alguns anos depois, em 1913, quando Pesqueira torna-se não só a sede como também o nome do município.
        Por fim, é importante reiterar que em 20 de abril se celebra o aniversário de emancipação política de Pesqueira, no entanto, o 13 de maio registra sua emancipação como sede administrativa do município de Cimbres.

Por Fábio Menino de Oliveira*.

*ARTIGO PUBLICADO NO INFORMATIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE PESQUEIRA (IHGP), Nº 0, ABRIL DE 2016.

sexta-feira, 25 de março de 2016

CANGACEIROS ATACAM A FAZENDA CABO DO CAMPO, PESQUEIRA-PE


Sítio Cabo do Campo, localizado no centro do mapa, entre os sítios Capim Grosso e Campina Nova,
próximo à Vila de Cimbres, Pesqueira-PE,

O título deste artigo foi dado por mim, no entanto, abaixo transcreverei na íntegra a notícia publicada no jornal A NOITE (Rio de Janeiro, sábado, 30 de outubro de 1937, ano XXV, nº 9.239, p. 2):

Os bandidos da meia-noite

PESQUEIRA, Pernambuco, outubro (Serviço especial d' A NOITE) – A cidade acaba de ter a notícia da prisão de um cangaceiro autor de vários crimes, capturado na Vila de Cimbres.
Trata-se de um ex-comparsa de Lampeão, alcunhado de “Cobra Verde” e “Come-Longe”, que levou a efeito o assalto da fazenda chamada Cabo do Campo, à frente de mais dois bandidos, um deles também cangaceiro, o Ricardino, e um outro “cabra” chamado João Isidoro.

Quem são os bandidos

O chefe dos assaltantes chama-se Florentino Paulo da Silva, natural do Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, conta 28 anos de idade, é um tipo repugnante, mas que agora de preso tenta dar à face uma expressão cínica de inocência, apesar de confessar sem comoção todos os seus hediondos crimes.
Contou-nos que esteve no grupo de “Lampeão” durante seis anos, tendo tomado parte em muitos tiroteios com as polícias de vários Estados.
Disse-nos no entanto que o seu papel no grupo não era o de bandido propriamente, mas encarregava-se das compras para o bando, e às vezes também na preparação da comida.
Fala muito mansamente, procurando dar um ar inocente à expressão do seu rosto, como dissemos acima, e entretanto enterrou friamente até o cabo enorme faca no peito da sua pobre vítima.
O outro assaltante, foi Antônio Ricardino da Silva, ex-sargento da polícia Paraibana, e, ao que informa “Cobra Verde”, também pertenceu a um grupo de cangaceiros, Ricardino é analfabeto, mas foi promovido àquele posto por atos de bravura quando as forças paraibanas sitiavam a cidade de Princesa, naquele Estado.
O terceiro “cabra” chamava-se João Isidoro e foi arranjado por “Cobra Verde” por sabê-lo “bem-disposto e valente”.

O motivo do crime

O cangaceiro capturado confessou que assaltara a fazenda porque soubera que o seu proprietário era homem rico e que tinha muito dinheiro em casa.
Essa informação foi prestada pelo indivíduo José Cabral, que também neste momento se acha preso na cadeia da cidade.

O crime

Assim, informados e guiados pelo indivíduo José Cabral, dirigiram-se para a fazenda Cabo do Campo, de propriedade de José Gabriel de Oliveira, que naquela ocasião estava em casa só com seu irmão Antônio Graciliano Leite.
À meia-noite, mais ou menos, bateram à porta do fazendeiro, que, ao abrir foi logo agarrado pelos criminosos.
Cobra Verde levava, como os outros, rifle, e uma faca conhecida em Pernambuco com o nome “peixeira”, porque é usada pelos vendedores para cortar peixe. Isidoro levava também um parabélum.
Pegados de surpresa, os dois homens tiveram que se render às ameaças dos facínoras, que exigiram logo que lhes fosse entregue todo o dinheiro que houvesse em casa, que eles acreditavam fossem 10 contos.
José Gabriel mostrou-lhes o dinheiro que possuía no momento, 1:400$000, que foi logo tomado pelos bandidos. Em seguida, duvidando que fosse aquele o único dinheiro que havia na casa, entraram a corrê-la, nada mais achando.
Após o saque, Cobra Verde saca da “peixeira” e friamente, enterra-a até o cabo no peito de José Gabriel. O irmão da vítima, ao ver o espetáculo, tenta reagir, mas no mesmo instante cai varado por duas balas de rifle e várias de parabélum.
Em seguida ao crime os bandidos evadiram-se.

A prisão de “Cobra Verde”

No dia seguinte, ao encontro dos corpos das vítimas, o comissário de Cimbres avisou o delegado de Pesqueira, capitão Manoel Maximiano dos Santos, que seguiu para o local do crime.
Imediatamente foram iniciadas as diligências para a captura dos cangaceiros, e somente muitos dias após o inspetor do distrito de Caroá conseguiu prender Cobra Verde em Afogados da Ingazeira.
Os outros dois criminosos continuam foragidos, mas com a polícia nas suas pegadas. (ortografia atualizada).

Cobra Verde (em pé e de braços cruzados) sendo interrogado na delegacia de Pesqueira.
Foto: d' A NOITE.

O crime praticado contra José Gabriel de Oliveira e Antônio Graciliano Leite ocorreu no dia 17 de setembro de 1937, conforme consta nas certidões de óbitos de ambos, que, localizei no Livro de Óbitos nº 3, 1935/1939, fls. 65v e 66, do Cartório do Registro Civil da Vila de Cimbres, Pesqueira-PE:

Assento de óbito número 558. Aos dezoito de Setembro de mil novecentos e trinta e sete, nesta Vila de Cimbres do município de Pesqueira, compareceu em meu cartório João Vitalino do Nascimento e declarou: Que ontem as onze digo as vinte e três horas no sítio Cabo do Campo, deste distrito devido homicídio faleceu, José Gabriel de Oliveira, solteiro, filho de Manoel Manoel Leite da Silva e Antônia Vitalina do Nascimento e foi sepultado no cemitério desta Vila. Eu, Francisco Tenório da Rocha Freire, Escrivão que o escrevi e assino. Francisco Tenório da Rocha Freire.

Assento de óbito número 559. Aos dezoito de Setembro de mil novecentos e trinta e sete, nesta Vila de Cimbres do município de Pesqueira, compareceu em meu cartório João Vitalino do Nascimento e declarou: Que ontem as onze digo as vinte e três horas no sítio Cabo do Campo, deste distrito devido homicídio faleceu, Antônio Graciliano Leite, filho de Manoel Lourenço Leite e Antônia Vitalina do Nascimento, solteiro, com quarenta anos de idade e foi sepultado no cemitério desta Vila. Eu, Francisco Tenório da Rocha Freire, Escrivão que o escrevi e assino. Francisco Tenório da Rocha Freire. João Vitalino.


Diante do contexto da notícia supracitada é possível notar a ação de grupos de cangaceiros na região compreendida entre os distritos de Mimoso e Cimbres, no município de Pesqueira-PE, demonstrando o quanto esse movimento estava presente e enraizado em todo o nordeste brasileiro, no período que compreende o final do século XIX e início do século XX.



Por Fábio Menino de Oliveira.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

A CRIAÇÃO DE UMA CADEIRA ESCOLAR MISTA EM MIMOSO (PESQUEIRA-PE) NO ANO DE 1897

           A criação da cadeira escolar mista do então povoado de Frecheiras (atual distrito de Mimoso) data de 27 de fevereiro de 1897, por iniciativa do prefeito do município de Cimbres Francisco Sinésio de Araújo Cavalcanti1. Para exercer o cargo fora nomeada professora pública D. Thereza de Brito Cavalcanti, conforme consta na citação a seguir:


Dia 27 [...] Remoção: Da professora D. Thereza de Britto Cavalcanti, da cadeira mista d’Ipojuca para de Frecheiras, creada n’esta data [...]”2


          Como podemos ver a professora foi removida da cadeira do povoado de Ipojuca para onde havia sido nomeada em 13 de abril de 1896, data em que se criou também a cadeira escolar mista de Ipojuca, atual distrito do município de Arcoverde.

         Tereza de Brito Cavalcanti (“Tetê”) era filha de Antônio de Brito Cavalcanti e Porcina de Olinda Nobre. Casou com o seu primo Francisco de Brito Cavalcanti (“Chico de Brito das Guaribas”, filho de Francisco de Brito Cavalcanti e Delmira de Olinda Nobre). Possivelmente foi a primeira professora pública de Mimoso sendo que este é o registro mais antigo até o presente momento encontrado sobre o funcionamento de uma sala de aula no lugar.

Mais de fato o que eram as escolas mistas? Para um entendimento melhor é necessário entender um pouco sobre o sistema educacional do fim do Império e início do período Republicano. Vejamos o que diz o trecho do artigo:


Escolas mistas. A lei que regulamenta as escolas mistas, no Brasil, data de 1879. No entanto, elas já existiam em Pernambuco, pelo menos, desde 1872. As informações sobre a sua existência, através dos Relatórios da Instrução Pública, só surgem a partir de 1876, quando já contava com treze escolas mistas espalhadas pela província. O advento da escola mista foi, ao que parece, uma tendência administrativa da Inspetoria durante a década de 70 do século XIX e, mais fortemente, na década seguinte, como forma de contenção de gastos em localidades mais afastadas das freguesias centrais do Recife e de Olinda” (BRAGA, 2003, p. 165)3.


Antes dessa época as escolas eram divididas apenas por sexo masculino e feminino. No entanto, a baixa frequência de alunos principalmente nas localidades do interior da província e a crise econômica no período final do Império, tornou-se necessário recorrer à criação de escolas mistas como contenção de gastos e para evitar uma educação ainda mais deficitária nos rincões menos favorecidos das províncias brasileiras.

Além disso a manutenção dessas “escolas” era de baixo custo para os governos municipais uma vez que:


[...] Os custos de contratação de um professor público eram mínimos, visto que o local a ser utilizado como sala de aula era procurado pela própria professora — só obrigando (mas nem sempre) o estado a pagar o aluguel, com preço fixo para todas as regiões. Por muito tempo, era um pagamento de 5 mil réis, insuficiente para cobrir a quantia total de um aluguel, por exemplo, no centro do Recife. De maneira geral, o único custo do estado com a educação era o pagamento de aluguéis e os vencimentos dos professores”4 (BRAGA, 2003, p. 168).


Essas escolas foram muito importantes no final do século XIX e início do XX porque em muitas localidades sua existência tornou-se o único caminho para a continuação do ensino público, ainda que beneficiando principalmente as classes mais favorecidas.

Com relação a cadeira mista de Mimoso há registros de seu funcionamento regular de 1897 até o início de 1902, pois consta o nome da professora Tereza de Brito como recebedora de pagamentos salarias mensais pela prefeitura de Cimbres (Pesqueira) no período acima mencionado, sem ter ocorrido interrupções nem tampouco há registros de demissão ou remoção para outro lugar.

Vale salientar que o salário anual de uma professora pública em Pesqueira no ano de 1899 era de 4:050$000 (quatro contos e cinquenta mil réis).

Em suma, se registra neste artigo mais alguns dados sobre a história do progressista distrito Mimoso, outrora denominado Frecheiras.


Por Fábio Menino de Oliveira.


1 Prefeito nos períodos de: 04/03/1896 a 15/11/1898 e 15/11/1901 a 15/11/1904; Deputado Estadual a 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª legislaturas no período de 1898 a 1912. Chefe rosista em Pesqueira.

2 Livro de Expediente da Prefeitura Municipal de Cimbres, 20/12/1895- 04/01/1902, fls. 18v.

3 A feminização do magistério em Pernambuco (1872-1890) de Flávia Bruna Ribeiro da Silva Braga, publicado na Revista de História, 5, 1-2 (2013), p. 151-177. Disponível em: http://www.revistahistoria.ufba.br/2013_1/a09.pdf. Acesso em: 27/02/2016:.

4 ob. cit.