sábado, 16 de julho de 2016

A HISTÓRIA DE UMA LÁPIDE NO SÓTÃO DA MATRIZ DE CIMBRES


No último dia 14 deste mês estive junto com meu amigo Átila Frazão fazendo uma visita a histórica e belíssima Vila de Cimbres, município de Pesqueira-PE, berço de mais de 300 anos de uma história riquíssima.

Entre os lugares visitados, destaco a Matriz de Nossa Senhora das Montanhas, construída provavelmente na década de 1670 após a instalação da missão de Ararobá pelos padres oratorianos da congregação de São Felipe Néri, tendo passado por algumas reformas em 1852 e na década de 1920, onde fora construída a torre frontal e as sacristias.

Dentre tantos detalhes observados, teve um que me instigou a curiosidade a presença de uma lápide no sótão acima da sacristia do lado direto da Matriz, com os seguintes dizeres: RESTOS MORTAES DA PROFESSORA DE ALAGOINHAS D. JOAQUINA CORDEIRO DE JESUS ROCHA FALLECIDA A 26 DE DEZEMBRO DE 1883 (ipsis litteris).


Mais quem foi essa professora? Por que seus restos mortais estão no referido lugar? A partir desses questionamentos que me fiz e que, certamente, a maioria das pessoas fariam, fui pesquisar.

É notório observar que os sepultamentos eram feitos na Matriz até 1862 quando passou a funcionar o cemitério público de Cimbres, sendo batizado como Cemitério São Sebastião, um dos padroeiros da tricentenária vila. Todavia, pelo óbito localizado da Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha a mesma foi sepultada numa catacumba no cemitério local e não na igreja. Vejamos o que diz dois registros de seu falecimento por mim localizados:

Aos vinte e seis de dezembro de mil oitocentos e oitenta e três, faleceu da vida presente, recebendo todos os sacramentos da Igreja Romana, Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, com idade de trinta e seis anos, professora pública da povoação d'Alagoinha, casada com o professor público desta povoação de Cimbres Joaquim Pedro da Rocha Pereira, e foi encomendada solenemente, e sepultada em uma catacumba do cemitério público desta Povão e amortalhada de preto, para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Vigário Raphael Limai. (ortografia atualizada)

CIMBRES.- Escrevem-nos em 21 de janeiro findo: […]Já essa conceituada Revista Diária noticiou o prematuro falecimento da professora de Alagoinhas, D. Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, e esposa do professor desta vila, que ficou assim viúvo e com quatro filhos menores. Resta-nos acrescentar que no dia 3 deste mês teve lugar a missa do sétimo dia com momento solene e depois a visita à catacumba do cemitério pelo Revdm. Vigário, família da finada e amigos do mesmo professor; e nessa ocasião após sufrágios da religião, o Sr. Quintino Aragão proferiu um discurso necrológico, que muito sensibilizou o auditórioii. (ortografia atualizada)


Pelos registros supracitados podemos notar o prestígio que os professores Joaquim Pedro da Rocha Pereira e sua esposa Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha detinham na comunidade cimbrense. Pelo seu óbito teria nascido Joaquina no ano de 1847, possivelmente no Recife, casaram na Matriz de São José, uma vez que em encontrei uma nota de jornal sobre as denunciações de proclamas em 18 de janeiro de 1869iii.


A professora Joaquina Cordeiro prestou exame de verificação de capacidade profissional para o magistério primário do sexo feminino entre os dias 2 e 7 de outubro de 1873, sendo aprovada pela antiga Secretária de Instrução Pública do estado de Pernambucoiv. Foi nomeada para exercer o magistério interinamente na cadeira do sexo feminino de Lagoa dos Gatos em 04/02/1874v. Em 10/07/1882 foi nomeada pela diretoria estadual de instrução pública como professora efetiva, sendo encaminhada para lecionar em Água Brancavi (não localizei onde ficava esse lugar).

No entanto, conforme notícia transcrita abaixo esse encaminhamento ficou sem efeito e a professora foi enviada para assumir a cadeira do sexo feminino do então povoado de Alagoinhas, hoje cidade do mesmo nome e que pertencia ao município de Cimbres, cuja sede administrativa já havia sido transferida desde 13/05/1836 para Pesqueira.

PARTE OFICIAL. Governo da Província. […] Expediente do dia 19 de agosto. Atos: - O presidente da província atendendo ao que requereu Joaquina Cordeiro de Jesus Rocha, resolve nomear a professora para a cadeira do sexo feminino de Alagoinhas; ficando sem efeito a portaria de 10 de julho findo que nomeou a peticionária professora da cadeira de Água Brancavii.

Todavia, seu período como professora de Alagoinha foi muito curto durou pouco mais de 01 anos, tendo falecido prematuramente aos 36 anos de idade e deixando 04 filhos menores, dos quais encontrei o nome de três: Jerônimo Eusébio da Rocha Pereira, Etelvina Cordeiro da Rocha Pereira e Alice Tecla da Rocha Pereira.


Quanto ao professor Joaquim Pedro da Rocha Pereira (10/04/1840-Recife,27/03/1914viii) é importante fazer algumas considerações. Exerceu o magistério público por mais de 30 anos, lecionando nos seguintes lugares: Lagoa dos Gatos (1868); Colônia Isabel (1879); Catende (1880); Bonito (1881); Cimbres (1882), Escada (1882), Afogados, Recife (1892); Boa Vista, Recife (1894). Aposentando-se em 1898 como professor jubilado.

O professor Joaquim tomou parte em várias entidades na capital pernambucana, nelas ocupando funções diretivas, dentre as quais destaco: 1-Sócio efetivo do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), dele fazendo parte das comissões de admissão de sócios (1902/1903) e de fundos e orçamento (1905/1906), sendo presidentes do Instituto nos períodos o desembargador Adelino Antônio de Luna Freire e o Dr. João Batista Rigueira Costa, respectivamente; 2-Conselheiro (1897), Presidente (1906 e 1909) e Tesoureiro (1907) do Grêmio dos Professores Primários do Recife; 3-Vice-presidente (1895) e Conselheiro (1900 e 1902) da Sociedade União Beneficente dos Professores; 4-Sócio da Cooperativa dos Funcionários Públicos de Pernambuco; 5-Jurado do conselho do júri da comarca do Recife; 6-Presidente da comissão examinadora da Instrução Pública municipal na Freguesia das Graças no Recife (1899).

Também foi sócio efetivo da Biblioteca Popular Pesqueirense, fundada em 01/01/1883, cuja primeira diretoria foi a seguinte: Diretor: Cônego Francisco Peixoto Duarte; Vice-diretor: Major Sátiro Ferreira Leite; 1º Secretário: Prof. Rufino Epifânio Rodrigues dos Santos; 2º Secretário: Capitão Manoel Cordeiro de Carvalho; Tesoureiro: José Martins Leitão; Orador: Prof. Franklin M. Martins; Consultores: Carlos Frederico Xavier de Brito, André Bezerra do Rego Barros e Antônio Armínio Gomes Coimbraix.

Ficando viúvo da professora Joaquina Cordeiro casou novamente com Josefa Carolina da Rocha Pereira, falecida em Olinda-PE dia 14/10/1934x e com ela teve os seguintes filhos: 1-Joaquim Pedro da Rocha Pereira Júnior, inspetor escolar; 2-Alfredo Erasmo da Rocha Pereira, funcionário dos Correios; 3-Beatriz Augusta Pereira de Lucena, professora estadual do Cabo; 4-Virgílio da Rocha Pereira; 5-Honorina Marieta da Rocha Pereira; 6- Olinto da Rocha Pereira; 7- Afonso Henrique da Rocha Pereira, falecido com apenas 07 anos 09/04/1902xi; e 8-Renato da Rocha Pereira.

Diante do exposto neste artigo, pudemos esclarecer os questionamentos iniciais descrevendo quem foi a finada professora e o seu esposo. Assim como, através das pesquisas foi possível localizar muitos registros em jornais da capital pernambucana como: Jornal do Recife, A Província e o Diário de Pernambuco, que muito contribuíram como fontes históricas. No entanto, ao final deste fica uma indagação:

Sendo que o sepultamento foi feito no cemitério da vila, por que os restos mortais de Joaquina Cordeiro de Jesus Pereira foi transladado para uma parede no sótão da Matriz de Cimbres? Por ora, o rabiscador destas linhas ainda não sabe, mais isso é o que apaixona na pesquisa histórica, ter a dúvida e sempre procurar por respostas.


Por Fábio Menino de Oliveira. 


NOTAS:

i Livro de óbitos da Matriz de Nossa Senhora das Montanhas de Cimbres, período de maio de 1865 a fevereiro de 1899, fls. 45, s/n de termo.
ii Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 01 de fevereiro de 1884, ano LX, nº 27, p. 2.
iii Jornal do Recife, segunda-feira, 18 de janeiro de 1869, ano XI, nº 13, p.1.
iv Diário de Pernambuco, Recife, sábado, 14 de outubro de 1873, ano XLIX, nº 234, p. 4.
v Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 08 de maio de 1874, ano L, nº 104, p.1.
vi Jornal do Recife, terça-feira, 25 de julho de 1882, ano XXV, nº 167, p.1.
vii Diário de Pernambuco, Recife, quinta-feira, 14 de setembro de 1882, ano LVIII, nº 209, p. 1.
viii Diário de Pernambuco, Recife, segunda-feira, 02 de março de 1914, ano 90, nº 31, p. 3.
ix Jornal do Recife, terça-feira, 22 de maio de 1883, ano XXVI, nº 116, p. 2.
x Diário de Pernambuco, Recife, 15 de outubro de 1939, ano 114, nº 289, p.6.
xi A Província, Recife, sexta-feira, 11 de abril de 1902, ano XXV, nº 81, p. 1.

terça-feira, 14 de junho de 2016

A INAUGURAÇÃO DA PRAÇA DE IPANEMA EM 1975

Prefeito Valderique Tenório na aposição da fotografia
de Joaquim de Carvalho Cavalcanti.

A praça Joaquim de Carvalho Cavalcanti, do povoado de Ipanema, Pesqueira/PE, foi inaugurada em 21 de abril de 1975 pelo prefeito José Valderique Tenório (31/01/1973 – 31/01/1977).

O HOMENAGEADO:
Joaquim de Carvalho Cavalcanti era filho de Serafim José Cavalcanti e Luzia Bezerra Cavalcanti. Foi proprietário da antiga Fazenda Barra que originou Ipanema, a partir de meados de 1840, no entanto as informações são imprecisas se o mesmo tornou-se dono da fazenda por compra ou herança.
Casou na Matriz de Nossa Senhora das Montanhas de Cimbres em 26/11/1845 com Maria Thereza de Jesus, filha de José de Carvalho Cavalcanti e Vitória de Moura Cavalcanti de Albuquerque. Localizei o registro de 13 filhos do casal Joaquim de Carvalho e Maria Thereza, dentre eles vale destacar: 1 - Leopoldo de Carvalho Cavalcanti, casado com Francisca de Moura Cavalcanti e sucessor do pai no comando da Fazenda Barra; 2 - Adelaide Theodulina de Carvalho, casada com o coronel Honório Tenório de Carvalho Cavalcanti, da Fazenda Catolé; e, 3 - Sebastião de Carvalho Cavalcanti, dono da Fazenda Ipueiras.
O tenente-coronel Joaquim de Carvalho Cavalcanti exerceu vários cargos políticos na Comarca de Cimbres, dentre eles o de Vereador em algumas legislaturas e detinha patente da antiga Guarda Nacional.
Faleceu em 04 de dezembro de 1882 e sua esposa Maria Thereza finou em 23 de março de 1892.

Da esquerda para a direita: Sérgio Brito (terno xadrez),
Dr. Luizinho Galvão, D. Maria Edileusa, D. Leonie Tenório
e Valderique Tenório.
DENTRE AS PESSOAS PRESENTES NO EVENTO VALE DESTACAR:

Luiz Sérgio de Brito Cavalcanti (28/05/1942 – 01/11/2003), mais conhecido como Sérgio Brito, era filho de Sérgio de Brito Cavalcanti e Maria Teodulina de Carvalho. Como político foi Vice-Prefeito (1977 – 1983) e candidato a Prefeito (1982), perdendo a eleição para o médico pediatra Evandro Mauro Maciel Chacon. Na vida empresarial exerceu diversos cargos em fábricas pesqueirenses, dentre eles foi por muitos anos gerente da Cicanorte. Foi um homem muito dedicado aos interesses da sua cidade e da sua querida Ipanema.

Luiz Américo Galvão Filho (01/01/1926 – 30/10/1983), mais conhecido como Dr. Luizinho Galvão, Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife (1951); Promotor Público nas cidades de Bodocó, Poção, Pesqueira e Recife; Diretor do Departamento de Educação (1975); Entre outras atividades foi fundador e Presidente da Associação Teatral de Pesqueira. Era casado com Maria Edileusa de Carvalho Galvão (conhecida como Guiu), filha de Joaquim Leopoldo de Carvalho e Maria Justa Tenório, neta paterna de Leopoldo de Carvalho Cavalcanti e Francisca de Moura Cavalcanti, bisneta por Leopoldo, de Joaquim de Carvalho Cavalcanti e Maria Thereza de Jesus.

José Valderique Tenório (02/05/1935 – 03/09/2000). Natural do distrito de Mimoso foi um político de muito destaque em Pesqueira exercendo os cargos de Vereador (1963/1969 – 1969/1973); Prefeito (1973/1977); e Vice-Prefeito (1983/1988). Era casado com Leonie Tenório de Brito, filha do ex-prefeito Manoel Tenório de Brito (Neco Tenório).

Vista ampla da inauguração da praça
CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A bonita praça foi construída em formato da bandeira brasileira e houve a aposição de uma placa em um púlpito homenageando Joaquim de Carvalho Cavalcanti, tendo inclusive uma fotografia do patrono, que infelizmente não mais se encontra no local.

Este foi, sem dúvida, um grande acontecimento no povoado de Ipanema como é possível observar nas fotografias deste artigo, onde tomaram parte no evento a comunidade e diversas autoridades, constituindo-se num marco para a história de Ipanema.[1]

Por Fábio Menino de Oliveira.




[1] Fragmentos retirados do livro BARRA: REMINISCÊNCIAS E NOTAS PARA A HISTÓRIA DE IPANEMA, PESQUEIRA-PE (2016).

sexta-feira, 3 de junho de 2016

CANGACEIROS ATACARAM IPANEMA EM 1936

Fotografia de Ipanema, anterior a 2004 por ainda não ter o calçamento em frente a secular
 igrejinha do povoado.
Disponível em:http://atrativope.blogspot.com.br/2014/01/pesqueira-atrativos-naturais-e.html 
O ano de 1936 registrou alguns fatos de agitação no povoado de Ipanema, Pesqueira-PE, conforme noticiou o Diário de Pernambuco nos dias 07 e 09 de junho de 1936. Ocorreu nessa época a passagem de um grupo de cangaceiros liderados por Virgínio, cunhado do mais famoso dos cangaceiros do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva “o Lampião”.Vejamos a narrativa dos fatos dada pelo Diário de Pernambuco:

BANDIDOS NO LUGAREJO IPANEMA. O COMANDANTE DE UMA DAS FORÇAS VOLANTES TELEGRAFA A SECRETÁRIA DE SEGURANÇA. Ontem, à noite, a Secretária de Segurança recebeu telegrama do comandante de uma volante em Pesqueira. Informava que alguns bandidos passavam pelo lugarejo denominado Ipanema. A volante saiu em seu encalço, travando ligeiro tiroteio. Os cangaceiros, porém, fugiram em debandada. A polícia não sabe si se trata de Lampião ou do grupo de Virgínio[1].

OS BANDIDOS EM PESQUEIRA. UM TELEGRAMA DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. Recebemos ontem de Pesqueira o seguinte telegrama: “PESQUEIRA, 7 – Confirmando meu telegrama publicado nesse jornal sobre a passagem de um grupo de cangaceiros neste município, foi atacada, ontem, a fazenda Catolé, distante apenas 15 quilômetros desta cidade. Foi sequestrado pelos assaltantes o proprietário da mesma fazenda sr. Rogério Brito, para cujo resgate exigiram três contos de réis. (a) Antônio Araújo, presidente da Associação Comercial”.[2]

Na segunda notícia é possível observar que o grupo de cangaceiros no dia 06 de junho sequestrou Rogério Cavalcanti de Brito[3], dono da Fazenda Catolé e exigiram a quantia de 3 contos de réis para libertá-lo. O fazendeiro foi levado para o lugar Carrapateira, próximo a Boa Sorte (Pedra/PE), para onde o seu filho Renato Tenório de Brito levou o dinheiro e o resgatou.
Fazenda Catolé antes de ser deteriorada. Foto de Mariana Freitas.
Consta também que estavam na lista para que dessem dinheiro aos cangaceiros os fazendeiros de Ipanema, José Leopoldo de Carvalho, Joaquim Leopoldo de Carvalho e José Marcos de Carvalho, que por sorte escaparam.
Quanto ao tiroteio citado na primeira notícia que teria ocorrido em Ipanema deve ter se dado na fuga dos cangaceiros, todavia não localizei fontes que pudesse esclarecer ou enriquecer com novos detalhes o fato mencionado.
O fato é que Ipanema vivenciou também em sua história o cangaço que se alastrou por todo o Nordeste brasileiro por algumas décadas no final do século XIX e início do XX e teve em Lampião, Corisco e Antônio Silvino, seus principais expoentes.
Praça Joaquim de Carvalho Cavalcanti em Ipanema e a linda árvore com seus flamboyants floridos.
Disponível em:http://atrativope.blogspot.com.br/2014/01/pesqueira-atrativos-naturais-e.html 

Por Fábio Menino de Oliveira.




[1] Diário de Pernambuco, domingo, 7 de junho de 1936, Ano 111, Nº 134, p. 3.

[2] Idem, terça-feira, 9 de junho de 1936, Ano 111, nº 135, p. 8.

[3] Sobre o sequestro de Rogério de Brito e o ataque de Virgínio à Fazenda Catolé trato de forma mais abrangente e detalhada no livro BARRA: REMINISCÊNCIAS E NOTAS PARA A HISTÓRIA DE IPANEMA, PESQUEIRA-PE (2016, p. 147-149)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

AOS LEITORES



NOTA:

Olá amigos! É com muita felicidade que estou divulgando meu livro: Barra – Reminiscências e notas para a história de Ipanema, Pesqueira-PE. Os interessados em adquiri-lo poderão fazê-lo através do site Clube dos Autores (acessem: https://www.clubedeautores.com.br/book/208938--Barra__Reminiscencias_e_Notas_para_a_Historia_de_Ipanema)pelo valor de R$ 45,00 mais o frete de R$ 10,14. Vale ressaltar, que em determinadas datas o site oferece promoções e o comprador poderá obter algum desconto. As formas de pagamento são boleto bancário e cartão de crédito, sendo que o site é 100% seguro e a entrega é feita dentro do prazo.

Todavia, quem não desejar comprar pelo site pode entrar em contato comigo pelo e-mail: fabiomenino2@gmail.com; telefones: (87) 9 9147-1946 e (87) 9 8157-8936; whatsapp: (87) 9 9147-1946. Nesse caso, eu faço o pedido em meu nome e a pessoa me repassa o valor fixo de R$ 55,00 pois, não tenho como prever se na data em que vou pedir o livro ele estará com desconto.

Agradeço a atenção e peço que compartilhem com seus amigos para que mais pessoas possam tero privilégio de conhecer a História de Ipanema.


Atenciosamente, Fábio Menino (Júnior).





terça-feira, 17 de maio de 2016

NOTÍCIAS SOBRE MIMOSO NO ANO DE 1919

Igreja de São Sebastião em Mimoso, s/d. Foto: cortesia de Sandra Tenório.

Transcreverei abaixo duas notícias publicadas no Diário de Pernambuco sobre a formação de uma comissão organizadora para as festividades do Natal a se realizarem no então povoado de Mimoso, Pesqueira-PE, no ano de 1919.


*DP, sábado, 13/12/1919, ano 95, nº 339, p. 5:

PESQUEIRA 7-12-919 – Os moradores do povoado de Mimoso, pretendendo comemorar solenemente o dia de Natal, organizaram a seguinte comissão para tratar dos festejos: Presidente, major André Tenório Cavalcanti; vice-presidente, tenente Gervásio Cavalcanti de Brito; secretário, capitão Luiz Antônio Gama; tesoureiro, capitão Enéas Pergentino de Lima; fiscal, tenente Tito Tenório Cavalcanti; zeladores, tenente Odilon Tenório Cavalcanti, tenente Amaro Xavier de Freitas; orador, capitão David Peixoto de Lima; comissão de ornamentação – exmas. dd. Maria de Oliveira Lima, Amália de Moura Cavalcanti, Maria Emília Gama, Cecília Magalhães de Brito, Maria Antônia de Freitas, Francisca Firme de Brito, Maria Clementina Peixoto, Silvina Tenório de Albuquerque; senhoritas, Maria Tenório, Marieta, Izabel Francisco dos Santos, Estefânia Francisca dos Santos, Maria Pereira de Vasconcelos, Alzira Tenório de Brito e Olívia Umbuzeiro Cavalcanti.


*DP, sábado, 03/01/1920, ano 96, nº 02, p. 4:

PESQUEIRA 21-12-919 - [..] Deverá ser festivamente comemorado na Vila de Mimoso o dia de Natal. A comissão promotora das festividades, organizou um atraente programa que constam passeata, danças e entretenimento populares. A missa terá lugar à meia-noite.


Registro também que a missa na noite de Natal acontece até os dias atuais, sendo uma tradição quase centenária do distrito de Mimoso e, que possivelmente essa festa religiosa tenha ocorrido na igreja de São Sebastião, pois ainda não havia sido construída a igreja de Nossa Senhora da Conceição.



Por Fábio Menino de Oliveira.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ELEIÇÕES EM MIMOSO NO ANO DE 1930


O primeiro registro por mim localizado sobre uma eleição realizada no Distrito de Mimoso, Pesqueira-PE (criado pela Lei Municipal nº 142 de 30/11/1928) aconteceu nos dias 1º de março e 21 de abril de 1930.

Nesta época, possivelmente, foi instalada a primeira secção eleitoral do distrito, uma vez que, em período anterior a estas datas os eleitores da região de Mimoso estavam listados na 7ª secção eleitoral da Vila de Cimbres, conforme comprova uma Ata de Eleição realizada em 31 de outubro de 1929 para preenchimento de uma vaga para Senador Estadual e de outra para Deputado Estadual, onde constam entre outros nomes: Major Luís Tenório de Albuquerque, Capitão André Tenório Cavalcanti e Napoleão Tenório de Albuquerque.

As duas Atas eleitorais dos pleitos de 1º de março e 21 de abril estão transcritas nas primeiras 14 folhas do Livro de Casamentos B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso que foi instalado no início de 1930, pois, está registrado como local onde se realizou a eleição.

Imagem da capa do Livro- B/01- Cartório de Mimoso. Fonte:https://familysearch.org
O distrito de Mimoso constituía a 10ª secção eleitoral do município de Pesqueira que pertencia ao 3º distrito eleitoral do Estado de Pernambuco e nela estavam inscritos 243 votantes. Sobre as duas eleições é importante fazer os seguintes registros:

Em 1º de março era para eleger 05 Deputados Federais, 01 Senador Federal (para a legislatura 1930/1932), Presidente e Vice-Presidente da República (para o quadriênio 1930/1934). Compareceram 230 eleitores e foram votados em Mimoso os seguintes candidatos: Deputados Federais - Dr. Antônio de Souto Filho, 184 votos; Dr. Antônio Austregésilo Rodrigues Lima, 184; Dr. Eurico de Souza Leão, 184; e Dr. Francisco Pessoa de Queiroz, 184. Senador Federal – Dr. José Maria Belo, 230 votos; e Dr. José Henrique Carneiro da Cunha, nenhum voto. Vice-Presidente – Dr. Vital Henrique Batista Soares, 230 votos; e Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, nenhum voto. Presidente da República – Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, 230 votos; e Dr. Getúlio Dornelles Vargas, nenhum voto.
Dr. Júlio Prestes  (Itapetininga15/03/1882 — São Paulo09/02/1946). 
E
leito Presidente do Brasil não tomou posse por causa da Revolução de 1930.
Em 21 de abril foi realizada eleição para Governador de Pernambuco e em Mimoso o candidato Dr. José Maria Belo recebeu 232 sufrágios dos votantes que compareceram ao pleito. Vale salientar, que a Mesa eleitoral foi composta nas duas ocasiões por: Major Luís Tenório de Albuquerque (Presidente), Capitão André Tenório Cavalcanti (Mesário), Manoel Tenório de Brito (Mesário) e Napoleão Tenório de Albuquerque (Secretário).

Major Luís Tenório (Presidente da 10ª secção eleitoral de Mimoso em 1930).
Registra-se neste artigo mais um dado para a história de Mimoso citando aquelas que poderão ter sido as duas primeiras eleições realizadas no lugar em secção eleitoral própria do novo distrito pesqueirense recém-criado à época, conforme constam nas fontes documentais pesquisadas e supracitadas.


Por Fábio Menino de Oliveira


Referências

Livro de Casamentos – B/01 (Jun. 1931/ Jun. 1954) do Cartório do Registro Civil de Mimoso, Pesqueira-PE, fls 1 a 14.


Livro de Casamentos – B/05 (Dez. 1928/ Fev. 1936) do Cartório do Registro Civil da Vila de Cimbres, Pesqueira-PE, fls 1 a 5.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A SEDE MUNICIPAL DE PESQUEIRA TEM 180 ANOS.

Foto de 1913 ou 1914, do livro: Ararobá, Lendária e Eterna de Luís Wilson (1980).

 O triênio 1833-1836 registra a fase de decadência da Vila de Cimbres como sede municipal, visto que a partir da primeira década do século XIX começam a surgir diversos fatos que culminariam com a transferência para a Povoação de Pesqueira. Vejamos:
 Em 1811, com a instalação da Ouvidoria nos termos os juízes togados que eram obrigados a permanecerem na vila passaram a residir no Brejo da Madre de Deus devido ao acesso mais fácil, a seguir transfere-se também a representação do Senado da Câmara. No ano de 1814, o ouvidor Dr. Antônio Joaquim Coutinho, consegue instituir a Alternativa da povoação do Brejo, dividindo os poderes com a Vila de Cimbres. Esta divisão de poder perduraria até 1833, quando foram criadas diversas Comarcas na Província de Pernambuco e Cimbres ficou reduzida a Termo da Comarca do Brejo.
         Não obstante a tais acontecimentos, a Câmara Municipal de Cimbres em sessão de 11 de julho de 1834, oficiava ao presidente da província de Pernambuco Dr. Francisco de Paula de Almeida e Albuquerque uma representação solicitando a transferência para a Fazenda Pesqueira. O governo provincial devolveu o ofício recomendando que a Câmara Municipal encaminha-se o referido para o Conselho Geral da Província, órgão competente para deferir ou não o pedido de transferência.
         Na sessão de 11 de outubro de 1834, a Câmara aprova o envio de ofício ao Conselho Geral da Província no sentido de conseguir o intento pleiteado. A situação da Vila de Cimbres se agravou em janeiro de 1835 quando uma epidemia de varíola dizimou boa parte da sua população deixando-a quase deserta, a situação beirava o caos.
          Em um Relatório publicado no jornal Gazeta Universal, de 7 de março de 1836, v. 1, n. 28, p. 3-4, que tratava sobre a transferência da Vila de Cimbres para a povoação de Pesqueira está exposta toda a situação, enumerando diversas razões para que se processe tal mudança, entre elas podemos destacar: a dificuldade de acesso a Cimbres (estando situada no cume da serra denominada Ororubá); estradas com muitas ladeiras e pedras que dificultam o trânsito público e o comércio; casas antigas; e a falta de uma feira. Bem como enaltecia todas as qualidades da moderna povoação de Pesqueira.
       Houve apelos de moradores da Vila de Cimbres para que não se procedesse a transferência conforme registrou a Gazeta Universal, de 07/03/1836, v.1, n. 28, p.1. Todavia, após apelos, defesas de ambos os lados e de uma disputa política de dois anos, a promulgação da Lei n. 20, de 13 de maio de 1836, deslocou definitivamente a sede de Cimbres para Pesqueira.
         Registrando assim um paradoxo, uma vez que, Pesqueira torna-se sede municipal em 13 de maio de 1836, vindo a ser emancipada muitos anos depois em 20 de abril de 1880 (Lei Provincial nº 1.484) continuando a ser município de Cimbres. A nomenclatura só viria a ser mudada mais alguns anos depois, em 1913, quando Pesqueira torna-se não só a sede como também o nome do município.
        Por fim, é importante reiterar que em 20 de abril se celebra o aniversário de emancipação política de Pesqueira, no entanto, o 13 de maio registra sua emancipação como sede administrativa do município de Cimbres.

Por Fábio Menino de Oliveira*.

*ARTIGO PUBLICADO NO INFORMATIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE PESQUEIRA (IHGP), Nº 0, ABRIL DE 2016.