segunda-feira, 12 de outubro de 2015

REGISTRO DO MATRIMÔNIO DE POSSIDÔNIO TENÓRIO DE BRITO E SEBASTIANA CAVALCANTI DE BRITO EM 12/11/1930:

Possidônio Tenório de Brito, foto do livro: Da Vila de Mimoso para o mundo.


“Aos doze de Novembro de mil novecentos e trinta, em Mimoso desta Freguesia, perante as testemunhas José Tenório de Brito e Francisco de Moura Cavalcanti, assisti ao recebimento matrimonial de Possidônio Tenório de Brito e Sebastiana Cavalcanti de Brito; ele, solteiro, com vinte e cinco anos de idade, filho legítimo de Gervásio Cavalcanti e Josefa Tenório de Brito; ela, solteira, com dezoito anos de idade, filha legítima de Izidoro de Moura Cavalcanti e Benvinda de Brito Cavalcanti. Ambos naturais e moradores em Mimoso desta Freguesia. Para constar fiz este assento e assino. Vigário José Ribeiro Dias do Valle” [Livro de Matrimônios da Matriz de Nossa Senhora das Montanhas de Cimbres, Jan.1928- Fev.1949, fls.26 v., casamento nº 47].


Ascendência genealógica de Possidônio:


Nascido em 02 de dezembro de 1905 e falecido em 04 de dezembro de 1945 em consequência de um tiro que recebera um ano antes, cujo autor era chamado Cordeiro e também morava em Mimoso. O disparo foi efetuado à traição pelas 5 hs da manhã quando Possidônio dirigia-se para sua pequena propriedade afim de ver o seu gado.
Por ser um homem de personalidade, de estatura alta e pele muito branca tinha o apelido de Galo Branco. Ao falecer deixou cinco filhos órfãos nascidos e um no ventre de sua esposa que estava grávida, que viria a nascer em 10 de janeiro de 1946.

Pais: Gervásio Cavalcanti de Brito, da Fazenda Varzinha próxima a Ipanema, e de Josefa Tenório de Brito, que foram o tronco do mais numeroso grupo dos Tenório de Brito de Mimoso, pois tiveram 12 filhos: Napoleão, Gervásio, Odilon, Luiz, Esperidião, Manoel, José, Antônio, Possidônio, Margarida, Antônia e Maria Tenório de Brito;

Avós: Serafim Cavalcanti de Albuquerque Brito e Vitória de Moura Cavalcanti (pais de Gervásio); Luiz Tenório de Albuquerque e Joaquina Branca de Siqueira (pais de Josefa);

Bisavós: Luís Antônio Monteiro Cavalcanti e Maria Tenório de Albuquerque (pais de Luiz Tenório); Ten-Cel. Francisco Cavalcanti de Albuquerque e Joaquina de Siqueira Cavalcanti (pais de Joaquina Branca);

Trisavós: Joaquim Inácio de Siqueira e Maria José de Jesus Cavalcanti (pais de Joaquina de Siqueira, moça integrante do grupo de irmão chamado de os 20 de Pesqueira);

Tetravós: Mestre-de-campo Pantaleão de Siqueira Barbosa e Ana Leite de Oliveira (pais de Joaquim Inácio); Capitão Leonardo Bezerra Cavalcanti e Catarina Alexandrina Pessoa (pais de Maria José).


Ascendência genealógica de Sebastiana:

Sebastiana Tenório Cavalcanti, foto do livro: Da Vila de Mimoso para o mundo.

Nascida em 20 de janeiro de 1923 e falecida em 1984.

Pais: Izidoro de Moura Cavalcanti e Benvinda Rosa de Brito Cavalcanti;

Avós: Francisco de Moura Cavalcanti, conhecido por Chico Portela da Fazenda Jerimum, e Amália de Assis Cavalcanti (pais de Izidoro); José de Brito Cavalcanti e Ana de Carvalho Cavalcanti (pais de Benvinda);

Bisavós: Francisco Cavalcanti de Albuquerque Santos, conhecido como Capitão Santo de Moura da Fazenda Jerimum, e Maria de Siqueira Cavalcanti (pais de Francisco de Moura);

Trisavós: Ten-Cel. Francisco Cavalcanti de Albuquerque e Joaquina de Siqueira Cavalcanti (pais de Francisco Santos).


Descendência de Possidônio e Sebastiana:


  1. Aluiz Tenório de Brito (Pesqueira, 10/03/1933- Recife, 10/09/2014), Juiz de Direito, casado, com descendência, sobre ele tratarei em artigo posterior;
  2. Adail Tenório de Brito, casada, com descendentes;
  3. Amilton Tenório de Brito, comerciante, casado, com descendentes;
  4. Maria de Lourdes Tenório de Brito, funcionária da Secretária da Fazenda, casada com descendentes;
  5. Antenor Tenório de Brito, casado, com descendentes;
  6. Adeilton Possidônio Tenório de Brito, bacharel, funcionário público, escrito, solteiro, nasceu depois do falecimento do pai em 10/01/1946.


Este artigo é uma homenagem a um dos grandes benfeitores de Mimoso, o Dr. Aluiz Tenório de Brito, in memoriam de 01 ano do seu falecimento. Assim como a seu pai que dá nome a Fundação Possidônio Tenório de Brito, berço da preservação da cultura e da história da região, cuja biblioteca tem contribuído e muito para que possa continuar escrevendo meus textos. Minha gratidão.


Por Fábio Menino de Oliveira.


REFERÊNCIAS:

AOUN, Geraldo Tenório. A Vila de Mimoso: Pesqueira- PE tradições e costumes. Recife: Gráfica Editora Santa Cruz, 1986.


BRITO, Adeilton Tenório de. Da Vila de Mimoso para o mundo. Recife: Ed. Do Autor, 2007.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

DESFILE CÍVICO EM MIMOSO- 14/09/2015.

O desfile realizado hoje a partir das 16 horas no distrito de Mimoso foi digno de aplausos por sua organização e presença da comunidade mimosense e dos sítios vizinhos, através da participação das escolas de Fazenda Rosário, Climério, Frexeira Velha, Canela de Ema, Serra da Cruz e Quilombolas Negros do Osso.

A festa da cidadania foi organizada pela Escola Intermediária Luiz Tenório de Albuquerque, onde através da sua gestora Roza Tenório Leite parabenizo todo o corpo docente e discente da referida escola, bem como das outras instituições educativas acima citadas.

Sendo este, um blog que busca o resgate histórico não se pode deixar de registrar um evento dessa magnitude e de tanta importância para Mimoso e Região. Abaixo algumas fotografias do evento:
























Vale ressaltar que estiveram presentes várias autoridades municipais. entre elas: Márcia de Oliveira Paes, Secretária de Educação que representou o Prefeito Evandro Chacon; Vereadores Sil Xukuru, Bal de Mimoso, Luca Peixoto, Naldo Paes, Tito França e Leni de Mimoso; O cacique Marcos Xukuru, além de outros secretários e diretores municipais.

Parabéns a todos e que este desfile possa se repetir por muitos e muitos anos, voltando a ser uma tradição local como outrora fora.

Por Fábio Menino de Oliveira.

domingo, 30 de agosto de 2015

A CONSTRUÇÃO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO EM MIMOSO.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Mimoso, em 08/07/2015 (Foto deste blog).

Em 1926 foi constituída uma Comissão para arrecadar fundos financeiros e de donativos para edificar a Igreja do ainda povoado de Mimoso que vivia nesta época o seu momento maior de desenvolvimento, uma vez que em 1925 já havia sido inaugurado o cemitério e o açougue local.

Sobre a arrecadação de donativos e os membros da Comissão Farid El-Khoury Aoun[1] no seu livro Do Cedro ao Mandacaru (1979), cita o seguinte:

“Possuía, àquela época [Mimoso], uma pequena capela dedicada a São Sebastião. Incentivei uma campanha pró-construção de uma igreja grande. Apertei os capitalistas locais que eram poucos: Luiz Gama, David Peixoto, Gervásio Tenório, Chico de Brito, sob a presidência do Major Tenório e, com outras contribuições de fora a igreja foi construída e dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Desses donativos consta a contribuição de Dom José Lopes, arcebispo da Diocese, e da Colônia Libanesa de Pernambuco”.

Desse modo, como a arrecadação para construção se deu no ano de 1926, possivelmente fora concluída em 1927 ou 1928, ainda não temos como precisar a data de sua inauguração por falta de fontes.

Festa de Nossa Senhora da Conceição em Mimoso, 1955. Juízes da festa Ivonildo Brito e Miraci (Foto do acervo da Fundação Possidônio Tenório de Brito).

           



[1] Nascido em Damour- Líbano em 24/01/1903 e falecido no Recife-PE em 18/08/1984. Filho do padre católico maronita José Aoun (que se chamava antes de ser sacerdote, Kalil Tarraf Aoun) e Jana Hanoud Aoun. Sua família era de classe média libanesa e com mais de 400 anos de tradição.
Como grande parte dos libaneses, Farid Aoun emigrou para o Brasil em 1913 junto com seu irmão Said Aoun e sua irmã Angèle. No Recife, trabalhou inicialmente na loja do conterrâneo Said Karam, todavia, o espírito libanês para o comércio fizeram os dois irmãos embarcaram num trem da Great Western e rumaram para o interior pernambucano, desembarcaram em Pesqueira nos idos de 1919, onde montados a cavalo e com um burro carregado de mercadorias passaram a mascatear pela região.
Seu irmão Said casou em 1921 com Tereza Tenório de Brito “Nita” (filha mais velha do Major Luiz Tenório de Albuquerque e Tereza de Brito Cavalcanti).
Farid se estabeleceu na década de 20 em Rio Branco (atual Arcoverde), onde fundou o Hotel Oriente. Retornou para o Líbano em 1932 para casar com Assma Akl Aoun e com ela teve 06 filhos: Samira, Samir, Munira, Nazira, Laila e Munir Aoun. Ao que consta ao retornar ao Brasil foi residir no Recife, onde ao lado do seu irmão se estabeleceram definitivamente mas, deram sua contribuição para o desenvolvimento da região, principalmente de Mimoso e Rio Branco.


Por Fábio Menino de Oliveira


REFERÊNCIAS:

AOUN, Farid El-Khoury. Do Cedro ao Mandacaru. Recife, FIDA- Editorial Comunicação Especializada S/C Ltda, 1979.

AOUN, Geraldo Tenório. A Vila de Mimoso: Pesqueira- PE tradições e costumes. Recife: Gráfica Editora Santa Cruz, 1986.

SAMPAIO, Yony. Francisco Ricardo Nobre, o inglês da Volta e sua descendência/ Yony Sampaio & Geraldo Tenório Aoun; apresentação Gilvan de Almeida Maciel. Recife: CEHM/FIDEM, 2003.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O REGISTRO DE BATISMO DO MAJOR TENÓRIO

 
Antiga fotografia do Major Tenório, sem data, acervo da Fundação Possidônio Tenório de Brito de Mimoso.
          De acordo com o registro transcrito abaixo sua data de nascimento foi em 15 de junho de 1861 no entanto não é especificado o local de seu nascimento, possivelmente terá sido na Fazenda Propriedade do seu pai. Vale salientar que o nome de sua mãe aparece com outro sobrenome ao invés de Joaquina Branca de Siqueira está Joaquina Pessoa de Albuquerque, o que era bastante comum para época essa variação de toponímicos sendo que os documentos eram preenchidos por escrivães e quase não existiam papéis assinados, bem como a taxa de analfabetismo era alta principalmente entre as mulheres.  

“Aos nove de novembro de mil oitocentos e sessenta e um na Propriedade, Batizei e pus os Santos Óleos a Luiz, branco, nascido a quinze de junho do dito ano, filho legítimo de Luiz Tenório de Albuquerque e de Joaquina Pessoa de Albuquerque; e foram padrinhos Francisco Cavalcanti de Albuquerque Júnior e Clara Felismina Cavalcanti. E para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Pe. José Mathias Ribeiro, Vigário Colado”.


Nessa mesma data foram realizados outros três batismos na Fazenda Propriedade Seguem-se:

“Aos nove de novembro de mil oitocentos e sessenta e um na Propriedade, Batizei e pus os Santos Óleos a Anna, parda, nascida a nove de abril do dito ano, filha legítima de Francisco Pereira dos Santos e de Francilina Maria Constantina; e foram padrinhos José de Albuquerque Cavalcanti e Clara Felismina Cavalcanti. E para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Pe. José Mathias Ribeiro, Vigário Colado”.

“Aos nove de novembro de mil oitocentos e sessenta e um na Propriedade, Batizei e pus os Santos Óleos a Manoela, parda, nascida a vinte e três de novembro de mil oitocentos e cinquenta e nove, filha legítima de Francisco Antônio de Melo e de Manoela Eleutéria de Jesus; e foram padrinhos Manuel Bezerra Cavalcanti e Tereza Bezerra Cavalcanti. E para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Pe. José Mathias Ribeiro, Vigário Colado”.

“Aos nove de novembro de mil oitocentos e sessenta e um na Propriedade, Batizei e pus os Santos Óleos a Maria, preta, nascida no primeiro de abril de sessenta, filha natural de Florinda, escrava de Luiz Tenório de Albuquerque; e foram padrinhos Manoel Querubim de Melo e Dominicia Maria do Espirito Santo. E para constar mandei fazer este assento no qual me assino. Pe. José Mathias Ribeiro, Vigário Colado”.

Por Fábio Menino de Oliveira


REFERÊNCIAS

Brasil, Pernambuco, Registros Igreja Católica, 1762-2002/Cimbres/Nossa Senhora das Montanhas, Batismos, Nov. 1859-Set. 1863. Fonte: https://familysearch.org.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A PRAÇA DR. JOAQUIM DE BRITO EM MIMOSO

Duas fotos antigas e outras duas mais recentes da "Pracinha de Mimoso":

Foto do Álbum da Administração Ésio Magalhães Araújo- Município de Pesqueira 1948-1951. Recife: Oficinas do Diário da Manhã, 1951.


Foto do Acervo da Fundação Possidônio Tenório de Brito sem data.

Busto do Dr. Joaquim de Brito (foto deste blog).

Placa no púlpito do busto com a inscrição da data de inauguração da Praça (foto deste blog).


Esse é mais um registro fotográfico para a história de Mimoso, onde as imagens contam muito sobre o progressista distrito pesqueirense.


Por Fábio Menino de Oliveira.



terça-feira, 28 de julho de 2015

A PASSAGEM DO MARECHAL DANTAS BARRETO CANDIDATO A GOVERNADOR DE PERNAMBUCO, POR IPANEMA E MIMOSO EM 06/08/1919:


Fac-símile do Jornal do Recife (clique na imagem para ampliar).

Conforme noticiou o Jornal do Recife, ano LXII, nº 213, p.1, de 09 de agosto de 1919. Segue-se um trecho da longa reportagem: “Viagem triunfal- [...] Foi um verdadeiro triunfo a excursão do ínclito sr. Marechal Dantas Barreto até Rio Branco. Propagando a sua legítima candidatura ao governo do Estado, no próximo quadriênio [...] saído de Belo Jardim às 15 e 10, foi o trem chegar à PESQUEIRA às 16 horas. A grande progressista cidade sertaneja apresentava um aspecto imponentemente festivo quando recebeu em seu ato o marechal e toda sua comitiva. [...] Tendo chegado aquela cidade às 16 horas , o comboio somente pôde continuar a viagem às 22 horas, isso motivado por um desastre ocorrido no trem de bois que passava pouco antes e que descarrilhou próximo à estação de Ipanema, devido a ter ficado aberta, por negligência do vigia, uma das agulhas dos desvios. Ainda um telegrama apócrifo, forjicado não se sabe por quem, nem com qual interesse exagerava na proporção do desastre, para retardar ainda mais a partida. [...] Após a remoção dos obstáculos da estrada, tendo saído de Ipanema às 23 horas e 45 minutos, o especial caminhou para Rio Branco.[...] Às 24 horas, quando o comboio passava pela estação de Mimoso, que estava às escuras, inúmeros ‘vivas’ partiram dali ao marechal Dantas Barreto. Aos 35 minutos da manhã chegava o especial a RIO BRANCO ponto terminal da excursão e também da estação férrea.[...] ”[1]



       Emídio Dantas Barreto (Bom Conselho, 1850 — Rio de Janeiro, 1931) foi um militar e político brasileiro. Em 1897, participou da Guerra de Canudos, no posto de tenente-coronel.
Durante o governo de Hermes da Fonseca, exerceu o cargo de ministro da Guerra, no período de 15 de novembro de 1910 a 12 de setembro de 1911. Chefe do PRD (Partido Republicano Democrata) seus correligionários eram chamados de “dantistas”.
Foi Governador de Pernambuco, de 19 de dezembro de 1911 a 18 de dezembro de 1915, e senador da República. Candidato a Governador em 1919 perdeu as eleições para José Rufino Bezerra Cavalcanti.
Além da carreira militar e política, Dantas Barreto redigiu obras científicas, estudos militares e romances históricos, deixando extensas informações sobre campanhas militares do seu período.


Por Fábio Menino de Oliveira.



[1] Fragmento do livro que estou produzindo: BARRA- Reminiscências e notas para a História de Ipanema, Pesqueira-PE.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

UMA TRAGÉDIA EVITADA NO TRECHO DA FERROVIA ENTRE IPANEMA E MIMOSO NO ANO DE 1924:


Em notícia publicada no Jornal do Recife, ano LXVII, nº 115, p.5-6, de 20 de maio de 1924 nos revela um fato muito interessante ocorrido com um trem de passageiros que foi salvo de um possível desastre por duas crianças. Segue-se a referida notícia na integra transcrita:

“Uma grande desgraça evitada. O trem de passageiros que sai da Central às 7 horas, trem do horário ao chegar na estação de Ipanema às 7 horas da noite de sábado último, 17 do corrente, na ocasião em que o chefe do trem ia dar partida foi obstado por dois rapazes, sobrinhos do coronel Tenório, fazendeiro ali, que correram sem cessar seis quilômetros descalços debaixo de tremenda chuva, relâmpagos e trovões, para avisar que o trem não seguisse, pois o açude havia sido arrombado pelas enxurradas levando um pontilhão do aterro da linha entre Ipanema e Mimoso, além da queda de doze barreiras. Devido terem caído os postes telegráficos estava a estação de Ipanema sem comunicação nenhuma para Recife e até aquele momento nada se sabia ali do que ocorrera. O trecho danificado é uma descida da serra do Mimoso e uma bem pronunciada curva, tendo de ambos os lados grandes despenhadeiros e caso se desse a catástrofe ninguém escaparia em virtude das profundezas do abismo de um lado e de outro. Os ditos rapazes vieram até Ipanema, como se diz na gíria, botando a alma pela boca, esbaforidos, rôtos, encharcados, em estado de fazer dó. O trem em vista disso, recuou para Pesqueira onde permaneceram durante a noite os passageiros em diferentes pontos, regressando todos pelo trem de anteontem para Recife. Entre os passageiros foi tirada uma pequena subscrição para gratificação dos dois destemidos heróis que são merecedores de todos os louvores devendo os passageiros do trem de sábado, a ambos as suas vidas. A referida subscrição rendeu 42$000 réis que foram entregues aos pequenos”.1

A matéria jornalística ao se referir sobre o ponto atingido pela queda de um pontilhão devido a uma enxurrada diz que: “o trecho danificado é uma descida da serra do Mimoso e uma bem pronunciada curva, tendo de ambos os lados grandes despenhadeiros”, seria possivelmente a ponte próxima ao lugar Frexeira Velha, sendo que a mesma possui uma altura considerável. Bem como menciona a queda de barreiras e a falta de comunicação entre as estações em consequência das fortes chuvas. Por sorte os meninos alcançaram o trem a tempo e o mesmo regressou da estação de Ipanema para Pesqueira, evitando um desastre eminente.

Ponte de Frexeira Velha, serra de Mimoso, possivelmente o local mencionado na reportagem que fora danificado pelas chuvas em 1924. (Foto disponível em: http://trip-suggest.com/brazil/pernambuco/mimoso/)



Por Fábio Menino de Oliveira.


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Nota:
1-      Fragmento do livro que estou produzindo: BARRA- Reminiscências e notas para a História de Ipanema, Pesqueira-PE.