sábado, 14 de junho de 2025

O BISPO E A PRAÇA: HOMENAGEM A D. JOSÉ LOPES

D. José Antônio de Oliveira Lopes, natural da Freguesia de São José do Recife, nascido em 21 de novembro de 1868, filho do português Marcelino Ausberto Lopes e de Francelina da Conceição de Oliveira Lopes. Foi solenemente batizado na Igreja Matriz de São José em 11 de abril de 1869. 

O futuro bispo da Diocese de Pesqueira iniciou sua formação religiosa no Seminário de Olinda, em 23 de fevereiro de 1882. Em 25 de março de 1884, transferiu-se para o Colégio Pio Latino-Americano, em Roma, onde foi ordenado sacerdote em 16 de abril de 1892 pelo cardeal Lúcio Maria Parochi, vigário do Papa Leão XIII. Celebrou sua primeira missa na capela do próprio colégio em 17 de abril de 1892 e, ao retornar ao Brasil, iniciou sua atuação pastoral como coadjutor da paróquia de São José, no Recife, sendo logo transferido para a freguesia de Goiana, onde ganhou o apreço dos paroquianos.

Exerceu funções relevantes no Colégio de São José, no Seminário de Olinda (como lente de Direito Canônico e reitor), e na Paróquia da Boa Vista, onde se destacou como orador sacro e incentivador da fé, implantando importantes melhorias, como a criação da Escola Paroquial. Recebeu diversos títulos e honrarias eclesiásticas ao longo da carreira, incluindo o de cônego efetivo, camareiro ad honorem de Sua Santidade, prelado doméstico e protonotário apostólico. 

Em 26 de junho de 1915, como reconhecimento a sua trajetória exemplar, o Papa Bento XV designou o Monsenhor José de Oliveira Lopes para substituir o primeiro bispo da Diocese de Floresta, erigida em 5 de dezembro de 1910, Dom Augusto Álvaro da Silva, que fora transferido para Barra do Rio Grande, na Bahia e que posteriormente seria Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil.

Dom José Lopes recebeu a sagração episcopal em 21 de novembro de 1916, na Igreja Matriz da Boa Vista, sendo celebrante o arcebispo Dom Luís Raimundo da Silva Brito, com Dom João Irineu Joffily, bispo coadjutor de Recife, e Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes, da Diocese de Alagoas. Tomou posse de sua diocese em 13 de dezembro de 1916.

Em 2 de agosto de 1918, através da Bula Archidiocesis Olindensis et Recifensis, o Papa Bento XV cria as dioceses de Garanhuns, Nazaré da Mata e Pesqueira, assim como altera o nome da Arquidiocese de Olinda que passa a ser chamada Arquidiocese de Olinda e Recife. Vale salientar a iniciativa do então Arcebispo de Olinda Dom Sebastião Leme Silveira Cintra quando enviou ao Sr Núncio Apostólico no Brasil – Dom Jacinto Ângelo Scapardini, o processo para criação das três dioceses em Pernambuco, tendo como motivo o vasto território arquidiocesano e que a criação da Diocese de Floresta não havia sido suficiente, pois havia cerca de 2 milhões e 400 mil fiéis governados por um único bispo, no caso Dom José Lopes.

A Bula Archidiocesis Olindensis et Recifensis transferiu a sede episcopal da Diocese de Floresta para Pesqueira apresentando como justificativa de Dom Sebastião Leme o seguinte: 

“[...] pediu que a Diocese de Floresta, constituída na extrema parte ocidental, fosse trazida e estendida para o oriente, na direção da cidade de Pesqueira, que, quer pelo número de habitantes, quer pela facilidade de estradas, quer pelo comércio, se tornou, no presente, de longe, mais importante que a cidade de Floresta, e, por isto, se torne não só sede do Bispo, mas também cidade episcopal. Todas estas coisas foram diligentemente avaliadas pela Sagrada Congregação Consistorial. Os desejos do supracitado Arcebispo foram considerados dignos de serem ouvidos; além disso, também houve o consenso do Venerável Irmão, o atual Bispo de Floresta[...]” (BULA DE CRIAÇÃO DAS DIOCESES DE GARANHUNS, NAZARÉ E PESQUEIRA, 1918).

De acordo com a citação acima, temos os motivos da transferência da Sede e da Cátedra episcopais da cidade de Floresta para Pesqueira, ou seja, número de habitantes, o acesso das estradas e o comércio que a faziam uma cidade mais importante para abrigar a Diocese que passou a chamar-se pelo nome principal da cidade, assim foi constituída a Diocese de Pesqueira com a instituição da Igreja Matriz de Santa Águeda como Catedral, ampliando seus limites com a incorporação de cinco paróquias Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Buíque, Pedra e Cimbres - considerada a primeira do sertão pernambucano. 

Segundo Luís Wilson (1980, p.419) a chegada de Dom José Lopes a Pesqueira ocorreu no sábado, 25 de janeiro de 1919, vindo “em um carro especial atrelado a uma composição de nossa antiga Great Western, que tomara em Arcoverde (naquela época – Rio Branco)”. Na Estação de Pesqueira foi recebido pelo Revmo. Vigário Pe. Frutuoso Maria Rolim de Albuquerque, vigários de Cimbres, Buíque, Serra Talhada e Floresta, religiosos franciscanos e por autoridades civis e militares, além de um bom número de pessoas. Coube ao professor Desidério Alves Valença, a honra do discurso de saudação ao Bispo em nome do povo católico da Diocese. Dom José Lopes, em seguida, se dirigiu à secular Igrejinha de Nossa Senhora Mãe dos Homens.

A sua entrada solene na Catedral de Santa Águeda ocorreu às 8 horas da manhã de domingo (26/01) onde vestido com seus hábitos pontificais saiu da Igreja Mãe dos Homens e adentrou a nova sede da Diocese ao som do solene canto do “Te Deum”.

Dom José Lopes que foi o segundo bispo da Diocese de Floresta mudou-se para Pesqueira a nova sede da Diocese, tendo permanecido à frente do território diocesano por quase quatorze anos, realizando uma administração profícua pelas contribuições materiais e espirituais. 

Fotografia do livro Ararobá, Lendária e Eterna.

Do ponto de vista material entre as suas realizações podemos citar: a transformação dos dois antigos sobrados ao lado da Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens em Palácio Episcopal, reformou a referida capela construída em 1822, construiu a igreja de São Sebastião, além de promover reformas e construções de igrejas e capelas na Diocese.

Seminário e Colégio Diocesano instalado por D. José Lopes em 1929,
conforme inscrição na fachada. Foto: Blog do Ibá Mendes.

                                      

Foi o bispo da promoção humana, da educação e das vocações. Deu luz ao saber, primeiro com a fundação em 1919 do Colégio Diocesano Cardeal Arcoverde, transformado em Seminário e Colégio Diocesano no ano de 1929 mudando-se do sobrado ao lado da Câmara para o palacete de Antônio Didier  adquirido pela Diocese em 1928, onde na atualidade funciona a prefeitura de Pesqueira. Em segundo lugar por viabilizar a instalação em 1919 do Colégio Santa Dorotéia. Além de ter fundado em 1920 o semanário católico ERA NOVA.

Chalés onde foi instalado o Colégio Santa Dorotéia em 12/04/1919.
Foto do acervo de Marcelo Nascimento.

Das instituições educacionais concebidas por Dom José Lopes emanaram inúmeras vocações sacerdotais e religiosas, tendo realizado várias ordenações para o fortalecimento da igreja e da fé na região, grandes frutos espirituais do seu episcopado que chegou ao fim após o seu falecimento no seu Palácio Episcopal em 23 de novembro de 1932, sendo sepultado na Catedral de Santa Águeda.

Placa mostrando que a homenagem foi feita a D. José Lopes ainda em vida.

Com uma vida marcada pelo compromisso com a educação religiosa e cidadã, a oratória e a promoção da fé católica. Dom José Lopes foi homenageado pelo governo municipal ainda em vida passando a denominar a praça onde se ergue a Catedral de Santa Águeda e, por conseguinte, o logradouro mais importante da cidade, isso ocorreu em 19 de setembro de 1926. Com o advento da Revolução de 1930 ficou proibido nominar espaço público com nomes de pessoas vivas. Assim, foi retirado o nome de D. José Lopes da praça, voltando a denominação após sua morte, conforme notícia do Correio de Pesqueira (03/12/1932, p. 4) citado por CAVALCANTI (2005, p. 128).

Fotografia de 1909. Acervo José Florêncio Neto.

O Largo da Matriz desde o início da povoação teve algumas denominações primitivas: Rua Grande e Rua do Comércio. Em fins do regime monárquico a Câmara Municipal deu à principal artéria da cidade o nome de Praça Buarque de Macedo, nomenclatura que permaneceu por mais de 40 anos, levando em consideração que foi dada após a morte deste em 1881 e assim seguiu até 1926 e voltando de 1930 a 1932. 

O engenheiro e político Manuel Buarque de Macedo (Recife/PE, 1º/03/1837 — São João del-Rei/MG, 29/08/1881) quando estava como Ministro da Agricultura e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (1880) teve papel fundamental para que Pesqueira fosse incluída no traçado da Ferrovia Central de Pernambuco. Todavia, não foi relegado ao esquecimento após deixar de nomear a praça, em 1938 a Câmara Municipal deu a antiga Rua Nova o nome de Rua Buarque de Macedo, ligando a Avenida Maria de Brito a Praça Jurandir de Brito.

Antiga Praça Buarque de Macedo provavelmente na década de 1920. 

Pois bem, até a década de 1930, mesmo constituindo-se no principal logradouro do centro urbano de Pesqueira a Praça Dom José Lopes - local da feira, do comércio e das festas - não teve melhoramentos significativos que de fato a fizessem uma praça urbanizada e com ajardinamento. 

Isso mudaria na administração do prefeito João Arruda Marinho dos Santos (1939/1946). Em telegrama enviado ao Interventor Federal de Pernambuco publicado no Diário da Manhã em 03/07/1940 o prefeito comunica o início das obras de calçamento da Praça Dom José Lopes numa extensão 2.760 metros quadrados. Em outubro de 1940 já haviam sido construídos 1892 metros quadrados de calçamento entre a Praça Marquês do Herval (Getúlio Vargas) e a Praça Dom José Lopes, incluindo a construção de galerias para escoamento das águas pluviais. Quanto aos jardins foram iniciados em dezembro de 1940.

Depois de pouco mais de um ano do início as obras ficaram prontas ao custo total de 59.752$004 (cinquenta e nove contos, setecentos e cinquenta e dois mil e quatro réis) e a inauguração teve lugar na manhã do dia 09 de setembro de 1941 com a presença de autoridades civis, militares e da igreja, entre as quais estavam: Agamenon Magalhães - Interventor Federal de Pernambuco; General Mascarenhas de Morais - comandante da 7.ª Região Militar; Gercino Pontes - Secretário de Viação e Obras; Arruda Marinho - Prefeito; D. Adalberto Sobral - Bispo de Pesqueira; Cônego Manoel Marques - vigário da Catedral; Dr. João Augusto Farias - Juiz de Direito da Comarca; e o Dr. Lídio Paraíba - Diretor do Hospital Regional de Pesqueira - inaugurado nesta mesma data.

O interventor e sua comitiva vinham de Serra Talhada, onde no dia anterior haviam inaugurado o Hospital Regional e o Campo de Aviação. Chegaram de trem na estação do povoado de Ipanema por volta das 9h45 onde foram recebidos pelo prefeito e demais autoridades municipais.

Agamenon Magalhães chegando a solenidade de inauguração do jardim e do calçamento da Praça Dom José Lopes, pôde presenciar um lindo momento, onde alunos do Grupo Escolar Rui Barbosa, Escola Maria de Brito e de outras escolas estaduais, municipais e particulares circundavam a praça portando bandeiras do Brasil as quais acenavam dando um ar cívico e patriótico a solenidade. Também ali estavam à tropa de escoteiros Pio XI, do Colégio Santa Dorotéia, do Colégio Cristo Rei, do Seminário São José, além  da banda de música 11 de Setembro, representantes do Círculo Operário Católico e do povo em geral.

Na oportunidade, usou da palavra o prefeito Arruda Marinho que fez o discurso de saudação ao interventor federal Agamenon Magalhães, que também fez as suas colocações e deu por inaugurada a Praça Dom José Lopes. 

Inauguração da Praça Dom José Lopes.

A foto que temos e que eternizou este momento inaugural mostra uma praça belíssima com jardins floridos, alamedas pavimentadas com pedras, a calçada de piso quadriculado e colorido, as colunatas decorativas nas laterais, o coreto ao centro, os dois tanques espelho d’água, os bancos de concreto sem o encosto e o posteamento com luminárias clássicas. 

            A praça era o novo que surgia sem destoar da paisagem do centro histórico de Pesqueira, pelo contrário, tornou-se um adorno ao lindo casario antigo e a Catedral de Santa Águeda, cujo primeiro a sentar na Cátedra foi o seu patrono Dom José Lopes. Assim, complementando algo que já era bonito e passou a ser exuberante à altura da cidade e do homenageado.


            Numa outra fotografia de 1957 é possível observar a manutenção da estrutura original, tendo como mudanças a maturidade da vegetação: árvores e arbustos estão mais desenvolvidos, conferindo mais sombra e um aspecto mais verde ao espaço. Nota-se também que algumas pessoas estão sentadas em bancos e outras caminhando tranquilamente, algo corriqueiro e cotidiano nas praças públicas, símbolos de lazer e convivência da população.

            E por fim, uma fotografia diferente das duas anteriores por ter sido tirada de outro ângulo revelando uma visão mais lateral da praça, com destaque para a imponente fachada da Catedral de Santa Águeda. No centro da foto em frente à casa de Nelson Avelar temos um Fusca, cuja fabricação começou no Brasil em 1959. No canto esquerdo da foto defronte à farmácia de José Cristóvão tem um Aero Willys lançado no Brasil em 1960. Como a data infere-se pelo veículo mais novo, então, podemos concluir que a foto é do início da década de 1960. 

            Nessa época ainda é possível ver a Praça Dom José Lopes com as mesmas características da sua inauguração 20 anos antes com seus lindos canteiros floridos, as palmeiras imperiais, as árvores que proporcionam sombra, os postes com luminárias brancas, a tradicional calçada quadriculada e os famosos carros de praça modelos Ford Mercury e Chevrolet Fleetline da década de 1950. As fachadas comerciais antigas e o traçado das ruas de paralelepípedo preservavam o charme arquitetônico do centro histórico da cidade.

            Em síntese, a Praça Dom José Lopes, mais do que um espaço urbano de convivência, é um símbolo vivo da gratidão de Pesqueira a um de seus maiores benfeitores. Ao unir fé, cultura e memória, este local perpetua o legado do eminente bispo que tanto se dedicou ao desenvolvimento espiritual e social da cidade. Dom José Lopes não apenas guiou o rebanho com sabedoria e firmeza, mas também deixou marcas concretas e indeléveis na paisagem e no coração do povo por promover a fé e a educação, luzes que iluminam a vida do homem. 

Por Fábio Menino de Oliveira

Atualizado em 16/06/2025.

Referências Bibliográficas         

BENTO XV. BULA DE CRIAÇÃO DAS DIOCESES DE GARANHUNS, NAZARÉ E PESQUEIRA. 1918. Disponível em: <https://www.diocesegaranhuns.org/institucional/historia>. Acesso em: 14 jun. 2025.

CAVALCANTI, Bartolomeu. No tacho, o ponto desandou: história de Pesqueira, de 1930 a 1950. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2005.

DIÁRIO DA MANHÃ - edições de 03/07/1940; e 13/09/1941.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - edição de 09/09/1941.

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO - edições de 24/10/1940; 10/12/1940; e 08/11/1941.

MACIEL, José de Almeida. Ruas de Pesqueira. Apresentação de Gilvan de Almeida Maciel. Recife, CEHM, 1987.

WILSON, Luís. Ararobá, Lendária e Eterna. CEPE/Pref. de Pesqueira. Recife: 1980.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

BANCO DO POVO: A PRIMEIRA CASA BANCÁRIA DE PESQUEIRA

 

Logomarca do Banco do Povo.

O Banco do Povo foi fundado no Recife em 27 de Abril de 1920 na sede da Associação Comercial de Pernambuco, por iniciativa de próceres elementos comerciais pernambucanos, entre os quais podemos citar: Alfredo Álvares de Carvalho, Bernardino Ferreira da Costa, Joaquim Franco Ferreira Lopes, dr. Manuel Gonçalves da Silva Pinto, José Pessoa de Queiroz, Claudino Coelho Leal, Augusto José Martins, José Antônio dos Santos, Carlos Perl de Lemos, José Ferreira Dourado, Manuel Ferreira Leite, Iderito Gomes de Araújo Marcelino da Silva Pereira, José Ramos de Oliveira e outros.

A sua primeira sede localizava-se na Rua 1º de Março, nº 73, Santo Antônio - Recife. Em 21 de Dezembro de 1936, o Banco do Povo inaugurou o seu novo edifício na Rua do Imperador D. Pedro II, n° 494, no mesmo bairro.

Jornal Pequeno, 21/09/1936.

Neste mesmo ano foi inaugurado em Pesqueira o escritório do Banco do Povo, o primeiro aberto no interior pernambucano. O ato aconteceu às 16h30 do sábado 19 de setembro de 1936 e contou com a presença do prefeito Dorgival de Oliveira Galindo, autoridades do município, além de funcionários da matriz do Recife, dentre elas Arthur Pinto de Lemos, gerente do Banco do Povo e um dos responsáveis pela instalação de escritórios no interior.

Pouco após a inauguração do escritório de Pesqueira e para dar prosseguimento ao plano de expansão do Banco entraram em funcionamento as sucursais de Bezerros e Alagoa de Baixo (Sertânia) nos dias 28 e 29 de novembro de 1936, respectivamente.

Primeira sede do escritório do Banco do Povo em 1943.

O escritório bancário de Pesqueira funcionava na Praça Marquês do Herval - atual Praça Getúlio Vargas - ao lado do antigo Pesqueira Hotel. Vale salientar que o prédio teve três versões: a primitiva inaugurada em 1936, a segunda de 1953 com o segundo piso e a terceira da década de 1970 onde o prédio foi alargado ocupando o espaço onde havia sido demolida a casa e o bar de Osório Conrado.

Provavelmente em 1947 o escritório mudou de local, sendo que ainda permaneceu na Praça Marquês do Herval, uma vez que havia a previsão da construção de um novo prédio, inclusive com a demolição da casa do lado pertencente a Osório Conrado que tinha sido adquirida pelo Banco para tal fim, no entanto, a demolição só ocorreria na década de 1970.

Todavia, a construção do prédio demorou. Luiz Neves em artigo intitulado “Um apelo à direção do Banco do povo” faz duras críticas dizendo que a casa bancária estava 

 

“[...] instalada num quartinho acanhado da praça Marquês do Herval. Há quase três anos, ou talvez mais, o escritório daquela agência mudou-se do prédio primitivo, que é vizinho ao ‘Pesqueira-Hotel’, para o quartinho aludido. Isto foi feito com a promessa de que ‘por aqueles dias’ seria iniciada a construção do prédio onde seria instalada definitivamente a filial do Banco o que para essa finalidade fora indenizada uma casa que iria ser demolida, resultando daí a mudança do escritório. Porém já são passados quase três anos e até a presente data não foi iniciada a tão esperada construção.”

 

E concluiu destacando a importância de Pesqueira com suas fábricas, o comércio e a pecuária que anualmente arrecadavam em torno de Cr$ 300.000.000.00 (trezentos milhões de cruzeiros), demonstrando uma cidade rica e progressista que não podia ter apenas um escritório bancário funcionando num “quartinho” apenas para depósitos e sem possibilidade de fazer empréstimos dificultando o desenvolvimento dos empreendimentos comerciais do município.

As reiteradas cobranças divulgadas por Luiz Neves deram resultado. Em agosto de 1952, o Dr. José Soares de Avelar, gerente da matriz em Recife, o sr. Antônio Holanda, gerente do escritório de Pesqueira e o engenheiro Antônio Jucá, sócio da firma construtora Figueira & Jucá - encarregada da construção do majestoso edifício da futura agência - visitaram o aludido correspondente do Diário de Pernambuco em Pesqueira para prestarem esclarecimentos à respeito do planejamento para início da obra, cuja previsão seria de iniciar em alguns dias.

Na ocasião, o Dr. José Soares de Avelar, mostrou a Luiz Neves o memorando no qual provava o encaminhamento pelos diretores do Banco do pedido de licença para funcionamento da nova Agência, formulado à Superintendência da Casa da Moeda, no Ministério da Fazenda, protocolado sob o n⁰ 700/52 e que havia a previsão de apreciação pela Comissão Competente no dia 15 de setembro de 1952.

Durante esse processo de construção da nova sede, ocorreu a mudança de categoria da primeira casa bancária pesqueirense. Fundada como escritório vinculado à Matriz em Recife no ano de 1936, assim permaneceu até 4 de agosto de 1953 quando passou a ser Agência. Neste dia, esteve presente Eduardo Menezes, Inspetor Geral do Banco do Povo. Nas palavras de Luiz Neves: “Ao ato compareceram altas autoridades da vida administrativa, política e social de nossa terra, que apuseram as suas assinaturas no livro de ata que registrou o acontecimento” (DP 12/08/1953).

À esquerda vemos segunda versão do prédio do Banco do Povo inaugurada em 1953
com o segundo piso ao lado do Pesqueira Hotel em fotografia da década de 1960.

Após um ano do início das obras, o novo prédio da agência do Banco do Povo de Pesqueira foi inaugurado no sábado 22 de agosto de 1953. Com a presença de autoridades e de funcionários do Banco, a saber:

Banco do Povo: Comendador Antônio Martins do Eirado, representando a Diretoria, Dr. Renato Pires Ferreira, gerente da Matriz, Eduardo Menezes, inspetor geral, Sátiro Tácito Guimarães, inspetor, José Domingos Vaz Curado, contador da matriz, José Augusto de Paula Filho, suplente da diretoria, Antônio Fazzis Sobrinho, membro do Conselho Fiscal, Gercino Tabosa, gerente da agência de Caruaru, Abílio Clementino Pimenta e Hélio Amazonas de Oliveira, o primeiro gerente e o primeiro contador da agência de Pesqueira, respectivamente.

Autoridades: Laércio Vilela Valença, prefeito de Pesqueira, Ésio Araújo, ex-prefeito de Pesqueira, Padre Manuel Oliveira, vigário e representante do sr. Bispo Diocesano D. Adelmo Machado, Pedro de Sousa, deputado estadual, Otacílio Morais, prefeito de Arcoverde e Abel Viana, prefeito de Caruaru.

Imprensa: jornalista Luiz Torres, gerente da Rádio Difusora de Caruaru, jornalista Azael Leitão, do Jornal do Agreste, o jornalista Eugênio Chacon,  do jornal A Voz de Pesqueira, o jornalista Paulo de Oliveira do jornal A Folha de Pesqueira e o jornalista Luiz Neves, correspondente do Diário de Pernambuco.

Comendador Antônio Martins do Eirado discursando na abertura da solenidade
de inauguração da agência de Pesqueira. Jornal Pequeno, 28/08/1953.

O ato inaugural teve início às 10h com a bênção das instalações pelo vigário local padre Manuel Oliveira. A seguir o Comendador Antônio Martins do Eirado, como Secretário do Banco do Povo fez o discurso de abertura da nova agência bancária, o qual transcrevemos na íntegra pela sua importância no entendimento dos motivos da ampliação do Banco e do contexto de desenvolvimento econômico vivenciado à época por Pesqueira.

 

“Meus senhores:

O BANCO DO POVO já radicado em Pesqueira vai aqui continuar com uma agência, mais à altura do progresso da região e do conceito do Município. Inaugurando o prédio desta agência soleniza a inauguração desta, tentando dizer na palavra sobre os sentimentos ricos da diretoria do Banco, sua Superintendência, Gerência, funcionários e corpo de acionistas - teia que faz a cobertura do trabaino da instituição de crédito - todos eles erguendo se, para um brinde a Pesqueira.

Pesqueira é a primaz do trabalho em Pernambuco. Aqui a Indústria tem uma catedral. Floreja ao seu lado o Comércio intenso. Uma mitra, elevando-a à Diocese, completou a maior importância do Município, nesses rincões de Pernambuco. Aqui nasceu um exemplo. Das energias de uma matrona surgiu uma indústria, que se tornou famosa no mundo inteiro. Como que uma raça nova veio se caldear em nossa raça Três firmas passaram a representar Pesqueira, em todas as manifestações do Trabalho: Brito, Didier e Rocha. Três marcas constituíam as siglas daquelas: "Peixe", "Rosa" e "Tigre". Depois eram os Araújos e quejandos indo com aqueles, pelo Brasil afora, afirmando o valor de suas origens. O homem aqui parece tocado por uma centelha divina. Armava-se cavalheiro para as grandes lutas da vida onde triunfa e se exalta. Ele não é só de um Município, é o contagiado de uma região. Como que as forças telúricas manifestadas na serra de Ororubá projetam a êle. Pugnaz na luta, indomável nos combates da fortuna, tem, porém, a docilidade do crente servindo com sinceridade ao seu Deus e a sua Fé. Balsama-se a sua alma do cheiro capitoso da goiaba tão suculenta nos seus campos; ou se unia tôda do doce famoso que no País e no estrangeiro tem as glórias de uma celebridade regional; ou, ainda, do suco vitaminado do tomate haure a energia que, aos antigos deuses, vinda do Céu, no "Maná" da lenda.

Namorado destas qualidades que realçam o homem e o povo desta região, já aqui está o BANCO DO POVO, inegavelmente a maior organização de crédito do Norte e Nordeste brasileiros, que não mede sacrifício nem sopesa esforços para auxiliar e colaborar com a Indústria, o Comércio, a Agricultura, a Pecuária e demais atividades do trabalho humano, onde quer que surjam promissoras; já aqui está e aqui fica. Entre os bueiros de tantas Fábricas, entre as forjas de tantas oficinas os produtos de suas prensas, o resultado do labor dos campos e criadouros, surge esta Agência, colaboradora e amiga, unindo a sua sorte à sorte de Pesqueira que é a de vencer, pela prosperidade de Pernambuco e grandeza do Brasil".

 

Após o belíssimo discurso, o comendador convidou o prefeito Laércio Valença para o gesto simbólico de dar o prédio por inaugurado o que foi feito pelo edil pesqueirense proferindo algumas palavras agradecendo a diretoria do Banco do Povo pela inauguração da agência e o quanto ela será importante para o desenvolvimento do município. Na oportunidade também usaram da palavra o deputado Pedro de Sousa, Eugênio Chacon, pela Associação Comercial de Pesqueira e o jornalista Paulo de Oliveira, pela imprensa, entre outros oradores.

O encerramento da solenidade não significou o término das comemorações festivas. A programação continuou da forma seguinte: às 17 horas foi oferecido pela administração do Banco do Povo um coquetel na sede do Clube dos 50 para os presentes ao evento inaugural da agência; às 19 horas, ocorreu no Cinema Moderno uma sessão cinematográfica exibindo uma película documentária das atividades do Banco do Povo em todo o Nordeste;  e às 20 horas, a sociedade pesqueirense ofereceu aos diretores, administradores e funcionários do Banco, um jantar dançante no Clube dos 50.

No domingo dia 23 de agosto ocorreram jogos de futebol e voleibol entre o Centro Esportivo do Banco do Povo, formado por funcionários que vieram em caravana do Recife. A partida de voleibol foi disputada pela manhã com a equipe local do Caxias e foi vencida por 2 a 0. 

À tarde, foi realizada uma partida de futebol, com um combinado pesqueirense, tendo o Centro Esportivo entrado em campo com a seguinte escalação: Azulão, Djalma e Paulinho; Mergulhão, Diogo e Renato; Wanderley (depois Hugo), Mituca, Expedito, Everaldo e Loureiro. Tendo a equipe do Banco do Povo vencido por 4 a 0, com gols de Mituca, Expedito e Everaldo (2). Ao final das partidas festivas a equipe do Centro Esportivo do Banco do Povo conquistaram uma linda taça comemorativa, oferecida pelas Casas José Araújo.

Em 1953 o Banco do Povo possuía além da matriz do Recife as seguintes agências em Pernambuco: Pesqueira, escritório inaugurado em 19/09/1936 e agência a partir de 04/08/1953; Bezerros, escritório inaugurado em 28/11/1936; Sertânia, escritório inaugurado em 29/11/1936; Garanhuns, escritório inaugurado em 03/04/1944 e agência a partir de 27/04/1949; Nazaré da Mata, agência inaugurada em 1⁰/10/1949; Caruaru, agência inaugurada em 1⁰/06/1949; e Arcoverde agência inaugurada em 1952.

Logomarca do Banco da Bahia.

O Banco do Povo foi comprado pelo Banco da Bahia em 1967 tendo a incorporação sido concluída em outubro de 1968. De acordo com reportagem do Diário de Pernambuco de 07/08/1968: “Com a incorporação a ser realizada, ainda este ano do Banco do Povo, o Banco da Bahia S/A somará NCr$ 302.248.296,28 em depósitos condição que lhe assegurará a classificação entre os seis maiores estabelecimentos de crédito do País”.

Por meio da  Instrução: IDG-3/67 da Direção Geral do Banco da Bahia assinado pelo vice-presidente Fernando M. de Góes datado de 07/11/1967 é determinado para as agências uma nova sequência de prefixos numéricos, ficando a instituição bancária de Pesqueira com o número 215. Tais mudanças se justificam pelo aumento da quantidade de agências bancárias do Banco da Bahia com a incorporação do Banco do Povo.

O Banco da Bahia foi fundado em Salvador em 1⁰ de julho de 1858 por iniciativa do Visconde de São Lourenço e o Barão de Cotegipe, a partir de 1942 sob a presidência do banqueiro Clemente Mariani Bittencourt tornou-se uma das principais instituições bancárias do país até a década de 1970 quando em razão de disputas de mercado com o Banco Econômico acabou enfrentando dificuldades sendo incorporado ao Banco Bradesco em julho de 1973, quando este tornou-se acionista majoritário do Banco da Bahia.

Banco da Bahia, fotografia de 1968 ou 1969.

De acordo com o memorando n⁰ 02/73 de 18/01/1973 do Banco da Bahia, consta a previsão de reforma da agência de Pesqueira no segundo semestre de 1973, justamente no período de transição para se tornar agência do Bradesco - o antigo CGC foi aberto em 05/12/1973. A obra de reforma custou Cr$ 35.000,00 (trinta e cinco mil cruzeiros) e houve a ampliação do prédio ocupando a antiga casa e bar pertencente a Osório Conrado dando origem a versão atual do prédio.

Nesse sentido, de forma cronológica a casa bancária da cidade funcionou em Pesqueira com três nomes: Banco do Povo, de setembro de 1936 a outubro de 1968; Banco da Bahia, de outubro de 1968 a dezembro de 1973; e Bradesco de dezembro de 1973 até a atualidade. 

Turma de funcionários do Bradesco em 1976. Na foto estão entre outros:
Nilson, Frank, Célio Cordeiro, Loiola, Lucílio Mota, José Emídio Costa,
Gera Velozo e Enoy a única mulher do grupo. Acervo Marcelo Nascimento.

Portanto, são quase 89 anos de funcionamento da primeira instituição bancária de Pesqueira, que mudou de nome duas vezes, teve três versões do seu prédio, mas que permanece no mesmo endereço na Praça Getúlio Vargas, contribuindo para o desenvolvimento econômico da Princesa do Agreste.

 

Por Fábio Menino de Oliveira

 

Referências Bibliográficas

ACERVO CLEMENTE MARIANI. Disponível em: Acervo Clemente Mariani - Banco da Bahia - DocReader Web . Acesso em 31/05/2025.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - edições de 19/9/1936; 18/08/1950; 05/04/1952; 10/08/1952; e 29/08/1953. 

JORNAL PEQUENO - edições de 21/9/1936; 27/4/1943; 27/8/1953; e 28/8/1953.

terça-feira, 3 de junho de 2025

TERMINAL RODOVIÁRIO DE PESQUEIRA: 50 ANOS CONECTANDO DESTINOS

 

Terminal Rodoviário de Pesqueira, provavelmente antes da inauguração.
Cortesia de Sandra Tenório "in memoriam".

O anúncio da construção do Terminal Rodoviário de Pesqueira foi feito em 9 de setembro de 1973, no dia das inaugurações do Colégio Estadual Cristo Rei, do sistema de micro-ondas ligando Pesqueira ao Recife pela Companhia Telefônica de Pernambuco e da via de acesso do Bairro do Prado à BR-232 – Avenida Eraldo Gueiros Leite.

Nas palavras do Secretário Assistente Fausto Freitas ao fazer o anúncio: "Ninguém vai mais esperar ônibus de pé, no meio da estrada, sem conforto" (Diário de Pernambuco, 11/9/1973). Pontuando que o novo terminal ficaria pronto o mais breve possível.

A construção dos terminais rodoviários fazia parte do Programa de Ação Coordenada do Governo Eraldo Gueiros (PRAC), dirigido pela Secretaria de Transportes e Comunicações com o objetivo de construir 144 terminais nas cidades do interior pernambucano, para oferecer melhores condições para os passageiros de empresas de transportes coletivos intermunicipais.

O terreno escolhido para a construção, iniciada em outubro de 1973, foi a Avenida Ésio Araújo. Tendo sido doado pela prefeitura de Pesqueira ao Departamento de Terminais Rodoviários de Pernambuco – DETERPE, criado pelo Decreto Lei n.º 228 de 20/3/1970, com a finalidade de construir, manter, explorar e conservar os terminais rodoviários.

A área total do terreno possuía 2.100 m² tendo a área construída de 576 m², com instalações modernas, estrutura mista em concreto armado e vigamento metálico, fornecidos pela Companhia Brasileira de Estruturas Metálicas – CIBRESME. Um dado importante é que estiveram à frente do projeto dos terminais rodoviários um grupo de trabalho formado pelos engenheiros do DETERPE Cláudio Romeiro, Marcelo Freire Falcão e César Cavalcanti de Oliveira, além do bacharel José Airton e do técnico de administração Bartolomeu Alves da Costa.

Cabe registrar algumas empresas vencedoras das licitações e os itens fornecidos para a obra: Serralharia Ideal (6 portas de enrolar com chapas articuladas); Serralharia Bandeirante (15 esquadrias de alumínio anodizado); Itapessoca Agro-Industrial (200 sacos de cimento); Ferreira Pinto & Cia (300 m de tábuas de pinho e 300 m de estroncas); Centro de Trabalho e Cultura (10 portas de madeira envernizada com as respectivas grades); Comercial Ramos Ltda (165 m² de azulejos extras Iasa); Matel Ltda e Eletrofil Comercial Ltda (material elétrico); P. A. Martins Ferragens, Percínio & Cia. Ltda e José Lopes & Cia (material hidráulico); e Ari Iunkoski (26 telhas tipo Kalhetão de 9,20 m).

Diário Oficial em 21/02/1975

A inauguração do Terminal Rodoviário de Pesqueira ocorreu às 10 h da quinta-feira, 20 de fevereiro de 1975, com as obras tendo custado ao DETERPE o valor de Cr$ 471.987,00 (quatrocentos e setenta e um, novecentos e oitenta e sete cruzeiros) com capacidade para atender 120 ônibus em 24 horas, possuindo 3 guichês, 4 boxes, 6 lojas (armazém e bomboniere), lanchonete, banca de jornais e revistas.

As reportagens da época previam a presença do governador Eraldo Gueiros Leite, no entanto, o mesmo não se fez presente. Inauguraram o novo terminal rodoviário o engenheiro Daniel de Souza Portella (Secretário de Transportes e Comunicação), Fausto Freitas (Secretário Assistente) e o coronel Marcelo Menna Barretto de Barros Falcão (Diretor Executivo do DETERPE).

Diário Oficial em 21/02/1975.

Após os secretários Daniel Portella e Fausto Freitas desatarem a fita simbólica da inauguração, fez uso da palavra o prefeito José Walderique Tenório que destacou o trabalho do governador Eraldo Gueiros em prol de Pesqueira, dizendo: “Hoje, passados quatro anos, podemos ver a olho nu o número expressivo de obras que ele deixou”.

O Cel. Menna Barreto discursando ladeado pelos secretários Fausto Freitas e Daniel Portella,
e pelo prefeito Walderique Tenório. 
Cortesia de Sandra Tenório "in memoriam".

O secretário Fausto Freitas mencionou em seu discurso o dia de festa pelas conquistas que o governo havia trazido para Pesqueira. Por sua vez, o coronel Menna Barretto fez uma análise do trabalho do DETERPE em relação ao setor rodoviário pernambucano.

Por último, falou o Secretário Daniel Portella, destacando as atuações do governo do Estado no setor dos transportes com a construção de estradas e dos terminais rodoviários no interior do estado.

O Secretário Daniel Portella discursando ladeado pelo secretário Fausto Freitas 
e pelo prefeito Walderique Tenório. 
Cortesia de Sandra Tenório "in memoriam".

Vale salientar que o Terminal Rodoviário de Pesqueira foi um dos primeiros a serem inaugurados no estado, antes já haviam entrado em funcionamento o do Cais de Santa Rita no Recife (novembro de 1972) e dos municípios de Goiana e Palmares (setembro de 1973); Canhotinho e Petrolina (dezembro de 1973);  Limoeiro (março de 1974); São José do Egito (abril de 1974); e Serra Talhada (dezembro de 1974).

Terminada a solenidade, foram inauguradas as pavimentações das ruas José Marques Pereira e Tabelião Francisco Roberto Matos, além da quadra de esportes do Colégio Cristo Rei, que recebeu o nome de Fausto Valença de Freitas, rendendo homenagem ao ilustre pesqueirense que muito contribuiu para o desenvolvimento de Pesqueira.

Placa da inauguração.

Pois bem, no dia 20 de fevereiro próximo passado o Terminal Rodoviário de Pesqueira completou 50 anos conectando destinos, sendo ponto de partida e chegada de incontáveis histórias. Meio século de um lugar tão cheio de memórias e que tem na sua essência o encontro de pessoas, seja na alegria da chegada ou mesmo na tristeza da despedida, o que importa é que a cada viagem um novo destino, uma nova história, e foram muitas nesses 50 anos.

 

Por Fábio Menino de Oliveira

Referências Bibliográficas

DIÁRIO DA MANHÃ – edições de 23/06/1972; 29/10/1973; 19/02/1975; e 21/02/1975.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO – edições de 11/9/1973; 25/10/1973; e 25/01/1975.

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO – edições de 06/11/1973; 09/01/1974; 12/01/1974; 26/01/1974; 16/04/1974; 06/07/1974; e 21/02/1975.